Disfunções Sexuais

Questões sobre sexo são freqüentes na clínica de psicoterapia: a sexualidade é algo que mobiliza demais o indivíduo, muitas vezes sendo o fator determinante para alguém iniciar um processo terapêutico. Mesmo sendo ainda um “tema tabu”, percebemos uma cobrança social acerca de como se vivencia a sexualidade: os meios de comunicação exigem um padrão de desempenho, vendendo sexualidade, muitas vezes de uma forma distorcida.

Tal pressão pode angustiar quem não se enquadra no perfil do “atletismo sexual” bem como pode criar uma confusão acerca do que é “saudável” ou “normal”. Como profissionais da área de saúde, não podemos nos esquivar de entender as disfunções sexuais que, tratadas devidamente, são reversíveis, associando por vezes medicina e psicologia.

A sexualidade é uma dimensão delicada e complexa. Fatores orgânicos, bem como psicológicos, podem influenciar negativamente a atividade sexual, gerando as chamadas disfunções. Uma avaliação realizada por um psicólogo habilitado, em parceria, quando necessário, com um médico, será fundamental para um diagnóstico preciso e, consequentemente, para a adoção de uma conduta terapêutica eficaz.

O termo “disfunção” implica em que haja um “padrão” de normalidade, de um funcionamento convencional, digamos assim. O cliente com queixa de cunho sexual normalmente chega angustiado, querendo saber por quê acontece e como curar. Em geral, os homens são mais rápidos em abordar a questão, apesar de haver casos em que se demoram meses para abordar o tema – por vergonha ou pela sensação de inferioridade que o mau desempenho sexual costuma trazer. As causas podem ser fisiológicas, psicológicas ou uma mistura destas. Em geral, na mulher, as causas são predominantemente psicogênicas.

Como de origem orgânica ou física podemos citar:

• uso de medicamentos que interferem no desejo sexual;
• hormônios;
• doenças neurológicas, diabetes e alcoolismo;
• anatomia genital mal formada (raro);
• doenças sexualmente transmissíveis (DST como AIDS, sífilis, HPV entre outras);
• doenças e inflamações ginecológicas que causem dor durante a relação.

De origem psicológica, temos também várias causas possíveis:

• Relacionamento em crise / desconfianças/ falta de amor / rotina / falta de comunicação / disputa de poder / moradia com terceiros/ falta de atração sexual pelo parceiro/ impotência ou ejaculação precoce deste.

Disfunções Sexuais Femininas

As disfunções sexuais englobam os problemas que impedem uma vida sexual satisfatória. Podem abarcar a falta ou diminuição de desejo, a inexistência de orgasmo, dor durante a relação sexual e, em casos mais graves, aversão à atividade sexual.

Muitos fatores podem estar na origem das disfunções sexuais: inflamações ginecológicas, uso de medicamentos, problemas psicológicos e de ansiedade, desequilíbrios hormonais, traumas sexuais, falta de experiência sexual e de conhecimento do corpo, problemas afetivos ou de natureza relacional.

Se a vivência sexual deve ser gratificante e comportar satisfação e prazer, então importa perceber as razões que levam à manifestação de uma disfunção. Frequentemente, a consulta junto de um terapeuta especializado é a forma mais eficaz de desbloquear medos e ansiedades.

Uma das queixas mais frequentes das mulheres em não ter orgasmo, a causa está no parceiro, ejaculador precoce. Além disto, muitos homens ainda não têm como foco o prazer da mulher: obtido o seu, viram para o lado e dormem. A mulher fica frustrada sexualmente e acha que a disfunção é sua, quando na verdade foi só um descompasso, que tem origem inclusive na fisiologia do corpo feminino: quando pouco se ficou nas preliminares, maiores as chances da mulher não atingir o orgasmo.

Principais disfunções sexuais femininas

• Perturbações de desejo
• Vaginismo
• Dispareunia
• Anorgasmia
• Transtorno de Excitação
• Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica
• Disfunção Sexual Induzida por Substâncias

As causas:

Perturbações de desejo

Uma das disfunções sexuais mais comuns é a falta de desejo ou desejo hipoativo. Segundo investigações mais recentes, o desejo sexual feminino pode nem sempre ser espontâneo, pode surgir apenas quando a relação sexual foi iniciada.

Vários fatores podem estar na origem de um desejo hipoativo, podendo estar relacionados com:

• o grau de intimidade e tipo de relação com o companheiro/a
• auto-imagem
• estimulação sexual
• existência de depressão
• estilo de vida
• medicação
• idade

Vaginismo

O vaginismo consiste na dificuldade da mulher em tolerar a penetração. Trata-se de um problema que pode ter consequências na vivência sexual e relações afetivas. É a contração involuntária dos músculos próximos à vagina que impedem a penetração pelo pênis, dedo, ou espéculo ginecológico ou mesmo um tampão. A mulher não consegue controlar o movimento de contração, apesar de até desejar o ato sexual.

Causas

Podem estar na origem do vaginismo fatores orgânicos ou fatores psicológicos e emocionais que incluem:

– Falta de informação e crenças erradas ou negativas sobre a sexualidade (culpa, educação conservadora)
– Inexperiência que pode conduzir a medos ou bloqueios – Experiências prévias com dor – Traumas sexuais (abusos sexuais)

Dispareunia

A dor que ocorre durante a relação sexual tem, na maioria das vezes, causas orgânicas. Os fatores psicológicos também podem estar envolvidos. Nesses casos, pode haver associação com trauma sexual prévio, sentimentos de culpa ou atitudes negativas em relação ao sexo.

O exame físico minucioso, com identificação das áreas dolorosas, inspeção detalhada para verificar alterações da anatomia e a presença ou não de lesões vulvares, na maioria das vezes, demonstra a causa. Devemos atentar para causas que podem diminuir a lubrificação vaginal e causar atrofia vulvovaginal, como a menopausa ou o uso de alguns medicamentos. Infecções vulvares, vaginais, doença inflamatória pélvica, endometriose, retroversão uterina, miomatose, patologias dos anexos (ovários e trompas), aderências pélvicas ou doenças do trato urinário
também provocam dor na relação sexual. O tratamento deve ser direcionado para a causa do problema.

Anorgasmia

Dificuldade ou falta de sensação orgásmica no coito e também a disfunção sexual geral – falta de sensações eróticas no contato físico sexual.

Muitas vezes a mulher tem dúvida se teve ou não orgasmo. Teve muito prazer na relação, mas… Acha que faltou alguma coisa. “Não foi aquilo tudo que dizem!” E muitos homens não percebem que sua parceira nunca teve um orgasmo. Algumas mulheres fingem para não desagradar seus parceiros, com medo de perdê-los ou mesmo magoá-los. Afinal, a mulher pode ter relações (e inclusive engravidar!) sem ter orgasmos. Mas, em pleno século 21, a mulher urbano ocidental sabe que é muito mais gratificante tê-los e se sente inferior quando “não chega lá”. Por outro lado, além do organismo se ressentir de ser muito estimulado, sem uma descarga energética orgástica.

Mas há vários tipos de anorgasmia. Algumas mulheres, apesar de não terem orgasmo durante o coito, têm durante a manipulação do clitóris, sozinha ou pelo parceiro. É a chamada anorgasmia primária. Então, isto implica em um aprendizado entre o parceiro e ela.

A anorgasmia absoluta é quando em nenhuma situação a mulher obteve um orgasmo. Como a terapia sexual acredita no aprendizado sexual, a mulher é chamada pré-orgásmica. Uma das primeiras indicações é realmente conhecer o próprio corpo, entrar em contato com ele, aprender a se tocar, descobrir como se tocar de forma mais prazerosa. A masturbação será altamente indicada.

Cabe ressaltar, que a psicoterapia é sempre muito importante para que a mulher possa aprender a se livrar das “conservas” familiares, de uma série de valores moralizantes etc e afastar também as dúvidas. Assim, removidas as barreiras que se colocaram e ela manteve, ela pode enfim exercer sua sexualidade de forma prazerosa e plena.

Transtorno de Excitação

É a incapacidade persistente ou recorrente (repetida) de adquirir ou manter a lubrificação vaginal e turgescência até o fim do ato sexual. A mulher tem pouca ou nenhuma sensação de excitação. Antigamente, esse problema era denominado de Frigidez.

Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica

Quando há um problema orgânico que gera problemas sexuais, como, por exemplo, a diminuição de desejo devido a Diabetes Mellitus.

Disfunção Sexual Induzida por Substâncias

Quando há um problema sexual pelo uso de algumas substâncias. Por exemplo, diminuição do desejo sexual por uso de altas doses de sedativos hipnóticos, como o diazepam.

As causas:

Orgânicas

Aquelas associadas aos distúrbios do organismo. Quando o aparelho sexual ou as substâncias importantes para seu funcionamento não estão trabalhando bem.

A principal característica é o fato de começar de forma gradual e ir piorando lentamente até se tornar comum. Diabetes, pressão alta, problemas vasculares, uso de drogas, fumo e descontrole hormonal são os principais fatores orgânicos da disfunção sexual.

Psicológicas
Têm origem em experiências traumáticas ou conflitos inconscientes. Pode envolver o nível alto de stress, medo e a preocupação com o desempenho sexual e a ansiedade.

Mistas
Acontece quando os fatores psicológicos desencadeiam distúrbios no organismo ou vice-versa, causando um ciclo de causas tanto psicológicas como orgânicas

Diagnóstico:

A disfunção sexual pode atingir qualquer mulher em qualquer idade, sendo mais comum do que se imagina. É natural que em algum momento, a pessoa experimente um episódio de disfunção. O complexo funcionamento da sexualidade humana oferece várias razões que podem afetar o desempenho da mulher.

Disfunções Sexuais Masculinas

Disfunções sexuais masculinas:

  • Impotência ou disfunção erétil
  • Ejaculação precoce
  • Ejaculação retrógrada
  • Ejaculação retardada
  • Dispareunia
  • Inibição do desejo sexual
  • As causas

Impotência ou disfunção erétil

A incapacidade de conseguir ou manter uma ereção suficientemente firme para a penetração.

A impotência secundária é a mais comum e pode ocorrer em qualquer idade; em nossa cultura configura-se como um grande monstro que amedronta a maioria dos homens. A ausência total de ereção não é muito freqüente, salvo em determinados quadros clínicos.

Na maioria das vezes, a disfunção erétil é um enorme pesadelo psicológico. Um homem pode apresentar falhas de ereção em determinadas circunstâncias e funcionar perfeitamente em outras: ele pode ter ereções normais ao se masturbar, mas não consegue durante um ato sexual; as ereções podem ser firmes em situações extraconjugais, porém podem falhar em um relacionamento conjugal, ou o contrário; às vezes a ereção é firme durante os jogos sexuais preliminares, mas desaparece ao tentar a penetração.

Episódios isolados de falha na ereção são muito comuns e não significam um problema maior, podem ser resultados de circunstâncias temporárias como resfriados, abuso na ingestão de bebida ou comida, falta de intimidade em um novo relacionamento ou alguma preocupação.

É importante lidar com essas situações de forma mais tranqüila possível, pois se o homem ficar extremamente decepcionado com seu “fracasso” poderá desenvolver uma ansiedade de desempenho que fatalmente irá desencadear dificuldades sexuais futuras. “Vou perder minha ereção!”, “O que ela vai pensar de mim?” – são medos comuns que ao se tornarem intensos e persistentes, realmente o homem se tornará incapaz de conseguir ou manter sua ereção, tornando a relação sexual uma “prova de fogo”.

Ejaculação precoce

É a dificuldade em manter controle voluntário da ejaculação, prolongando-a; o orgasmo pode ocorrer durante as carícias que antecipam a penetração ou tão logo comece a penetrar.

Quando o homem sempre ejacula sem querer, a relação sexual acaba sendo pouco prazerosa.É um dos problemas mais comuns.

Alguns homens tentam vencer sozinhos esse problema usando pomadas para diminuir a sensibilidade do pênis ou acham que um pouco de bebida alcoólica poderá diminuir a rapidez ejaculatória; são tentativas pouco eficazes, pois o controle se dá às custas de artifícios onde a espontaneidade e o prazer ficam prejudicados.

Ejaculação retrógrada

É um quadro exclusivamente orgânico em que o colo da bexiga não se fecha direito durante o orgasmo, fazendo com que o esperma jorre de volta para lá.

Nesse caso, a substância é absorvida pelo organismo.

Ejaculação retardada

É a dificuldade em ejacular, seja durante a penetração ou no sexo oral, apesar da presença de uma ereção firme e de níveis altos de excitação sexual. O homem demora muito tempo para chegar ao orgasmo, em alguns casos só consegue se masturbando sozinho. Essa disfunção pode ser uma fonte de prazer sexual, em alguns casos, porém, longos períodos de penetração podem ser desconfortáveis física e psicologicamente para a mulher.

Dispareunia

É a sensações dolorosas no pênis ou nos testículos durante a relação sexual; costumam estar associadas a um problema na próstata ou na vesícula seminal.

Inibição do desejo sexual

É a diminuição ou perda do interesse pelo sexo, gerando angústia pessoal ou no relacionamento; envolve ausência de desejo pela atividade sexual, como também desinteresse por quaisquer estímulos eróticos. É um quadro que vem aparecendo com frequência na clínica e, algumas vezes, é camuflado com desculpas e justificativas.

As causas:

Orgânicas
Aquelas associadas aos distúrbios do organismo. Quando o aparelho sexual ou as substâncias importantes para seu funcionamento não estão trabalhando bem.

A principal característica é o fato de começar de forma gradual e ir piorando lentamente até se tornar comum. Diabetes, pressão alta, problemas vasculares, uso de drogas, fumo e descontrole hormonal são os principais fatores orgânicos da disfunção sexual.

Psicológicas
Têm origem em experiências traumáticas ou conflitos inconscientes. Pode envolver o nível alto de stress, medo e a preocupação com o desempenho sexual e a ansiedade.

Mistas
Acontece quando os fatores psicológicos desencadeiam distúrbios no organismo ou vice-versa, causando um ciclo de causas tanto psicológicas como orgânicas.

Diagnóstico

A disfunção sexual pode atingir qualquer homem em qualquer idade, sendo mais comum do que se imagina.

É natural que em algum momento, a pessoa experimente um episódio de disfunção. O complexo funcionamento da sexualidade humana oferece várias razões que podem afetar o desempenho do homem.