20 dezembro 2017
20 dezembro 2017,
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Os Segredos do Quarto de Dormir

Ultimamente tenho pensado muito sobre lugares sagrados e geralmente quando isso acontece, me vem imagens de lugares muitas vezes desconhecidos por mim. Mas se pararmos para pensar direitinho, existe um lugar que é sagrado e está bem pertinho da gente. O quarto de dormir!

Um estudo sobre o quarto de dormir revela segredos muito além dos sonhos. Não é um lugar apenas para se dormir, ali, guarda-se segredos nunca antes revelados e quiçá o serão! O quarto para alguns é a extensão do ego, intocável, “perfeito”, asséptico. Uma espécie de cofre onde cada um guarda as suas riquezas. Para outros, não é nada disso, é simplesmente mais um lugar da casa onde se guardam as roupas e onde se dorme.

Ao longo dos séculos, porém, o quarto de dormir foi vivido de muitas maneiras diferentes, segundo um Estudo Etimológico, do pesquisador francês Pascal Dibie, uma cuidadosa história do quarto de dormir através dos séculos. Fala-se de 130 mil anos atrás sobre os hábitos noturnos do homem de Neandertal, descreve os altos leitos dos faraós, o quarto de Salomão com suas colunas de ouro e prata, até chegar à Grécia Antiga onde surgiu o termo kamara para designar o quarto de repouso.

Na idade Média ganha o status de introspecção, com a ascensão da burguesia, torna-se um cômodo infestado de supérfluos.

Pulamos para o fim do século 18 onde a expansão das cidades trás problemas de higiene e o quarto de dormir torna-se uma reserva de vitalidade. Nele, o homem nasce, procria e morre.

Mas e nos dias de hoje? Como serão os quartos? O que se pensa sobre ele? O que se faz além de dormir? Muitos dirão logo: Sexo, é claro! Mas e depois?

Tem pessoas que reservam um espaço para um altar, uma espécie de oratório, outros são metódicos e vivem em perfeita simetria com seus pares de chinelos. Animal nenhum entra! Por outro lado, existem aqueles que são totalmente desprendidos da organização e o quarto é um verdadeiro “Banzé no Oeste”, ou seja, tudo é meio organizado dentro da bagunça. Enquanto alguns poderiam se perder dentro dessa parafernália, o próprio acha tudo de olhos fechados. Ali, o gato, o cachorro e até pássaros são permitidos.

Já ouvi alguém dizer: “Para que fazer a cama quando levanto se depois desarrumo novamente para dormir?” Então, tudo é muito relativo, tudo pode acontecer ou não. Já vi gente que escurece tanto o quarto que parece uma caverna, e nela, permanece grande parte do dia pois perde-se a noção de tempo.

Mas, se temos um determinado tipo de quarto de dormir, em seguida já imaginamos que poderíamos ter outro. Quem sabe, um maior? Onde caberia tudo o que se possui, até o carro? Ah, se coubesse! Ou, quem sabe um quarto bem menor, que não desse trabalho para limpar e que se pudesse encontrar as coisas com mais facilidade?

Os antigos românticos gostavam de fazer serenatas para as donzelas perto da janela do seu quarto, enquanto ela, lá dentro, se deliciava na longa cama, temerosa que seus pais pudessem ouvir. Outros mais ousados, escalavam muros para acessar o quarto da amante e adentrar com sua permissão.
Nos anos 80 os jovens costumavam decorar as paredes do quarto com mulheres nuas, capas da revista Playboy. Exibiam aos amigos aquelas paredes infestadas de ninfetas como um verdadeiro troféu. Hoje, tempos modernos e era digital, quartos de dormir possuem desktops, laptops, tabletes, kindle, celulares, etc. Já não há tanto glamour como antigamente.

O despertar na corte de Versalhes não era simples. As oito horas em ponto, o rei Luís 14 era acordado pelo primeiro camareiro, que dormia ao pé do seu leito. Entravam então os pajens do quarto. O dormitório real era um lugar público.
Um casal famoso da televisão, já disse em entrevista que não conseguiam dormir sem a certeza de que todas as portas, janelas, gavetas e armários estivessem trancados. Sem isso, parecia que a intimidade deles estava exposta. Tem loucura de todo o tipo!

Tem gente que não gosta de camas que são vazadas embaixo. Elas têm a sensação de que alguém fica ali espionando ou que surgirá alguma coisa durante à noite e devorá-los, etc.

Muitos quartos guardam recordações ruins das quais ninguém quer lembrar e o jeito é se mudar. Mas, nem tudo é ruim! Existe aqueles que tiveram bons momentos e aqueles que ainda os tem.

Mas e você, qual o seu tipo de quarto? Que tipo de loucura você já cometeu ou gostaria de cometer? Tem alguma história interessante para contar? Pesadelos? Quem nunca os teve?

Mas, pelo sim ou pelo não, o quarto é um lugar sagrado, onde existe reserva, onde as pessoas se despem e se vestem, onde existem sonhos, meditações, choros, alegrias e também amor. Bem aconchegante e escurinho, bom também para dormir e de preferência, em boa companhia.

Helio Felippe – 21/12/2017

www.heliofelippe.com.br

 

 

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