Alcoolismo

Abuso e dependência química do álcool

O uso de substâncias que modificam o estado psicológico tem ocorrido em todas as culturas conhecidas desde a Antigüidade mais remota. Costumavam ser associadas a rituais tradicionais nas várias culturas.

O alcoolismo é uma doença que afeta a saúde física, o bem estar emocional e o comportamento do indivíduo. Segundo estatísticas americanas, atinge 14% de sua população e no Brasil estima-se que entre 10 a 20% da população sofra deste mal. O álcool é classificado como um depressor do sistema nervoso central.

EFEITOS FÍSICOS

Os efeitos físicos ocasionados pelo álcool são muito amplos no ser humano. Diminuição dos reflexos e sedação são comuns. O uso a longo prazo aumenta o risco de doenças como o câncer na língua, boca, esôfago, laringe, fígado e vesícula biliar. Pode ocasionar hepatite, cirrose, gastrite e úlcera. Quando usado em grande quantidade pode ocasionar danos cerebrais irreversíveis. Pode levar à desnutrição. Pode causar problemas cardíacos e de pressão arterial. É uma causa conhecida de malformação congênita quando usado durante a gestação.

EFEITOS EMOCIONAIS

Os efeitos emocionais e comportamentais são muito frequentes e variáveis conforme a tolerância do indivíduo e a dose ingerida. Perda da inibição, sendo que pessoa intoxicada com álcool pode fazer coisas que normalmente não faria, como, por exemplo, dirigir um carro em alta velocidade. Alteração do humor, ocasionando raiva, comportamento violento, depressão e até mesmo suicídio. Pode resultar em perda de memória. Prejuízo na vida familiar do alcoolista, ocasionando desentendimento entre o casal, e problemas emocionais a longo prazo nas crianças. Diminuição da produtividade no trabalho.

COMO A PESSOA DESENVOLVE ALCOOLISMO

Um indivíduo pode tornar-se alcoolista devido a um conjunto de fatores, incluindo predisposição genética, estrutura psíquica, influências familiares e culturais. Sabe-se que homens e mulheres têm 4 vezes mais probabilidade de ter problemas com álcool se seus pais foram alcoolistas.

EFEITOS DO ÁLCOOL

Geralmente está associado a outras condições psiquiátricas como transtornos de personalidade, depressão, transtorno afetivo bipolar (ou psicose maníaco depressiva), transtornos de ansiedade e suicídio.

INTOXICAÇÃO POR ÁLCOOL

Os sintomas dependem da concentração de álcool no sangue. No início do quadro a pessoa pode tornar-se séria e retraída, ou falante e alegre. Podem ocorrer crises de riso ou choro. Em geral ocorre sonolência. Gradativamente o indivíduo começa a perder a coordenação motora, apresentando dificuldade para falar e caminhar. Os reflexos tornam-se mais lentos. Intoxicações graves com concentrações maiores de álcool no sangue podem levar ao coma, depressão respiratória e morte.

INTOXICAÇÃO PATOLÓGICA

Caracteriza-se por intensas mudanças de comportamento e agressividade após a ingestão de uma pequena quantidade de álcool. A duração é limitada, sendo comum o black out (amnésia). Pela violência das manifestações pode ser necessário até internar o paciente além de medicá-lo.

SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA AO ÁLCOOL

Ocorre em pacientes que fazem uso de álcool em grande quantidade e por tempo prolongado, e que param de consumir a bebida. Os primeiros sintomas de abstinência iniciam 12 horas após parar de beber. Os sintomas mais comum são os tremores, acompanhados de irritabilidade, náuseas, vômitos, ansiedade, sudorese, pupilas dilatadas e taquicardia. Pode evoluir para uma condição clínica mais grave chamada Delirium por abstinência de álcool (Delirium Tremens)

DELIRIUM TREMENS

É uma emergência médica e, quando não tratado adequadamente, pode levar o paciente a convulsões e morte em até 20% dos casos. Inicia geralmente na semana em que o paciente para de beber. O paciente apresenta taquicardia, sudorese, febre, ansiedade, insônia. Pode apresentar alucinações, como, por exemplo, enxergar insetos ou outros pequenos bichos na parede. O nível de consciência do paciente “flutua” desde um estado de hiperatividade até um de letargia.

COMO O MÉDICO FAZ O DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é feito através de uma anamnese (entrevista) com o paciente e sua família e exame físico. Os exames de laboratório não servem para diagnosticar alcoolismo, porém podem dar “pistas” se o paciente faz uso crônico de álcool, e conseguem dar uma idéia aproximada do grau de lesão de alguns órgãos ocasionado pelos efeitos tóxicos do álcool, como por exemplo no fígado.

COMO SE TRATA

Em primeiro lugar é preciso esclarecer que não existe um tratamento ideal para o alcoolismo. Por isso, os casos devem ser considerados individualmente, e a partir de um bom exame clínico, deve-se indicar o tratamento mais apropriado para cada paciente de acordo com o grau de dependência e do ponto de desenvolvimento da doença em que se encontra a pessoa. É preciso lembrar que as recaídas são comuns nos pacientes alcoolistas.

Na grande maioria dos casos, o próprio paciente não consegue perceber o quanto está envolvido com a bebida, tendendo a negar o uso ou mesmo a sua dependência dela. Nestes casos, pode-se começar o tratamento ajudando o paciente a reconhecer seu problema e a necessidade de tratar-se e de tentar abster-se do álcool.

A indicação de internação, pelo menos como fase inicial de desintoxicação, costuma ser a regra. Em ambulatório, os tratamentos disponíveis são a psicoterapia cognitivo comportamental e a psicoterapia de orientação analítica, realizadas individualmente ou em grupo. Os grupos de auto-ajuda, como os Alcoólicos Anônimos, têm-se mostrado uma das alternativas mais eficazes no tratamento do paciente alcoolista e no acompanhamento de sua família, o que costuma ser indispensável para o bom andamento do tratamento.

Algumas medicações podem ser utilizadas para causar uma reação física violenta se a pessoa ingere álcool ou ainda bloquear a vontade e o prazer de beber. Fontes de informação sobre álcool, tabaco e outras drogas ou substâncias psicoativas.

REFERÊNCIAS:

1. ABEAD – Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas A ABEAD mantém um boletim de acesso livre com destaques das notícias mais relevantes relativas a drogas de abuso. Apresenta também material de consulta restrita para associados.
2. CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. O site do CEBRID oferece informações em vários níveis de complexidade, incluindo levantamentos epidemiológicos nacionais entre escolares e na população geral.
3. CREMESP – O conselho Regional de Medicina de São Paulo oferece uma boa introdução ao tema dos problemas decorrentes do uso de álcool, tabaco e outras drogas, intitulada “USUÁRIOS DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS – Abordagem, diagnóstico e tratamento”. http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Publicacoes&acao=detalhes&cod_publicacao=23
4. NIAAA – NIAAA National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism. O NIAAA oferece atualização focada no alcoolismo.
5. NIDA – National Institute on Drug Abuse. Este site apresenta informação sobre álcool, tabaco e outras drogas em vários níveis de complexidade e para públicos variados, desde adolescentes escolares até profissionais da saúde em busca de atualização.
6. SENAD – Secretaria Nacional. A SENAD mantém disponíveis informações sobre todas as substâncias com potencial de abuso e levantamentos epidemiológicos relativos ao uso de drogas no Brasil. Apresenta, ademais, informações relevantes para organizadores de serviços para atenção a usuários de álcool, tabaco e outras drogas.
7. VIVAVOZ – VIVA VOZ – 0800 510 0015. O VIVAVOZ é um serviços modelo para informação sobre drogas de abuso. Oferece também informações via telefone, tanto para quem busca conhecimento quanto assistência clínica.
8. UNIAD – Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas. A UNIAD mantém um site com farta informação de acesso livre organizada em largo espectro de complexidade. Mantém também esforços em Pesquisa e Assistência.

Fonte: ABC da Saúde

 

Anorexia

A anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado pela busca incessante por magreza e com isso a elaboração de estratégias para atingir este objetivo. Uma pessoa anoréxica tem uma imagem corporal distorcida, ou seja, há uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, na autopercepção da forma e/ou do tamanho do corpo. A pessoa continua se sentindo gorda mesmo estando excessivamente magra, quando ela se olha no espelho não consegue visualizar sua imagem real e sim sua imagem distorcida.

O medo intenso de ganhar peso leva o individuo a se utilizar de várias estratégias que vão desde a recusa em alimentar-se de forma saudável, pois vira vítima de tabelas calóricas, até o uso abusivo de laxantes e diuréticos, autoindução a vômitos e prática de exercícios intensos.

Assim sendo, a recusa alimentar é apenas uma consequência dessa distorção doentia do esquema corporal. A auto estima dos pacientes com Anorexia Nervosa depende obsessivamente de sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o ganho de peso é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrole.

Embora alguns pacientes com este transtorno possam reconhecer que estão magros, eles tipicamente negam as sérias implicações de seu estado de desnutrição.

Ansiedade

A ansiedade caracteriza-se por um sentimento de apreensão desagradável, vago, acompanhado de sensações físicas como frio no estômago, opressão no peito, palpitações, transpiração, dor de cabeça ou falta de ar, dentre várias outras. Ansiedade diferente do medo é uma resposta a uma ameaça desconhecida. A ansiedade é um sinal de alerta, que adverte sobre perigos iminentes e capacita o indivíduo a tomar  medidas para enfrentar ameaças.

A ansiedade prepara o indivíduo para lidar com situações potencialmente danosas, como punições ou privações, ou qualquer ameaça a unidade ou integridade pessoal, tanto física como moral. Desta forma, a ansiedade prepara o organismo a tomar as medidas necessárias para impedir a concretização desses possíveis prejuízos, ou pelo menos diminuir suas consequências. Portanto, a ansiedade é uma reação natural e necessária para a autopreservação. As reações de ansiedade normais não precisam ser tratadas por serem naturais e autolimitadas.

Os estados de ansiedade anormais, que constituem síndromes de ansiedade são patológicas e requerem tratamento específico. A tensão oriunda do estado de ansiedade pode gerar comportamento agressivo sem com isso se tratar de uma ansiedade patológica.

A ansiedade patológica, por outro lado caracteriza-se pela excessiva intensidade e prolongada duração proporcionalmente à situação precipitante. Ao invés de contribuir com o enfrentamento do objeto de origem da ansiedade, atrapalha, dificulta ou impossibilita a adaptação.

Bulimia

As características essenciais da Bulimia Nervosa consistem de compulsões periódicas e métodos compensatórios inadequados para evitar ganho de peso. Além disso, a autoavaliação dos pacientes com Bulimia Nervosa é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo, tal como ocorre na Anorexia Nervosa. Para qualificar o transtorno, a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana por 3 meses.

Uma compulsão periódica é definida pela ingestão, num período limitado de tempo, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos pacientes consumiria sob circunstâncias similares. O médico deve considerar o contexto no qual a compulsão periódica ocorreu; durante uma celebração ou uma ceia festiva, por exemplo, o que seria considerado um consumo excessivo em uma refeição comum é considerado normal

Delírio

Sinônimo e Nomes Populares: Alucinação, loucura, visão.

O que é?

São todas as doenças que levam uma pessoa a ouvir, enxergar e pensar que está vivenciando uma situação inexistente podendo levar o paciente a um quadro de agitação e/ou agressividade.

Como se desenvolve?

As causas são as mais diversas possíveis. Doenças, uso de drogas ilícitas, remédios entre outras. As doenças de fígado, hemorragias e isquemias cerebrais podem levar a delírio.

O uso de LSD (ácido lisérgico), mescalina, cocaína, cola de sapateiro, intoxicação por metais pesados também podem levar a delírio. Sífilis, encefalites e meningite podem criar quadros de delírio. Epilepsias do lobo frontal e temporal levam o indivíduo a ouvir e enxergar coisas que não existem. Remédios para doença de Parkinson e corticóides podem levar os pacientes a delírio. Alguns tumores cerebrais levam a delírio, mas não é comum.

Pacientes psiquiátricos, com bastante freqüência, têm delírios que podem ser de lógicos e bem estruturados a quadros bem pouco elaborados.

Privação de drogas podem levar também a quadros de delírio, como nos pacientes que deixam de ingerir álcool de forma súbita.

O que se sente?

O indivíduo passa a ter visões incongruentes, ouvir sons ou vozes e a ficar agitado com a sua percepção, muitas vezes inverossímil para o próprio paciente.

Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através de entrevista com o paciente, com perguntas corriqueiras como: quem ele é; em que país se encontra; idade e situações de seu cotidiano bem conhecidas. Caso o paciente responda de forma inadequada, apresentando-se agitado, tem-se grande chance de que esse paciente esteja em delírio.

A tomografia computadorizada do encéfalo (TC) e a ressonância magnética do encéfalo (RM) nos informam sobre alguma alteração cerebral do paciente.

Exames para dosagem de drogas na urina e sangue, bem como alguma prescrição de medicamentos, devem ser avaliados.

Exames de laboratório para sangue e urina são úteis em doenças metabólicas das mais variadas.

Como se trata e como se previne?

A prevenção é possível nos casos de uso de drogas, doenças infecciosas e intoxicação por metais pesados.

O tratamento da dependência a agentes químicos é difícil e necessita de ajuda especializada. As doenças infecciosas devem ser tratadas com medicação específica para cada uma delas. Algumas medicações devem ser descontinuadas por produzirem efeitos indesejáveis.

Os tumores cerebrais devem ser tratados com cirurgia.

Fonte: ABC da Saúde

Demência

Nomes Populares: Caduquice, loucura, esquecimento.

O que é?

São todas as doenças que provocam alteração da memória de curta ou longa duração associada a alteração da função cortical a qual chamamos raciocínio. A memória de curta duração é responsável pelo que o indivíduo realizou nos últimos dias e nas últimas horas. Já a memória de longa duração é a responsável pelo aprendizado, lembranças da infância e de anos passados. O raciocínio ou funções corticais superiores são as capacidades do indivíduo de calcular, escrever, orientar-se e principalmente a capacidade de integrar todos esses conhecimentos.

Quando o indivíduo não reconhece alguém ou algum lugar ou há quanto tempo ocorreu determinado fato, isso significa que ele está com alteração de memória e, portanto, com um dos indicadores para quadro demencial. A inadequação a diferentes fatos, como perda de iniciativa e comportamento inadequado, é decorrente de doença do lobo frontal.

Alteração pequena de memória recente em indivíduos com mais de 65 anos de idade é considerada normal. Perda de memória geralmente ocorre na demência, mas a perda de memória, sozinha, não significa que o indivíduo tem demência. A demência indica problemas com pelo menos duas funções cerebrais, tal como a perda de memória associada com uma piora no julgamento ou linguagem. A demência torna o paciente confuso podendo não lembrar de nomes e pessoas, podendo ocorrer também alterações de personalidade e comportamento social.

Como se adquire?

Muitas doenças chamadas de “degenerativas” são responsáveis por quadros demenciais, entre elas: Doença de Alzheimer, diabete melito, dislipidemias, isquemias cerebrais. Outro grande grupo é o das doenças infecciosas: meningites, encefalites, encefalites por vírus lentos, AIDS, sífilis. O terceiro grupo é o dos tumores cerebrais, como os gliomas, meningeomas, metástases.

Por último temos as demências pós-traumatismo de crânio que são os hematomas subdurais crônicos e as lesões axonais difusas e a hidrocefalia.

O que se sente?

Inicialmente a pessoa queixa-se de falta de memória recente, depois aparecem as alterações da memória tardia, memória de tempo e memória espacial. Por fim há uma alteração de comportamento, com atitudes bizarras e imprevisíveis.

Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico é feito com testes de memória. Dá-se uma lista de dez objetos ou desenhos para o indivíduo memorizar. Caso ele tenha menos de 65 anos de idade e não consiga memorizar nenhum dos dez objetos ou desenhos, ele deve ser investigado.

Avaliação deve ser feita com tomografia computadorizada do encéfalo (TC) ou ressonância magnética do encéfalo (RM). A punção lombar é importante, pois nos permite diagnóstico de doenças infecciosas que levam a quadro demencial.

Como se trata e como se previne?

Para as doenças infecciosas, a prevenção é a vacinação sempre que possível, como nas meningites bacterianas. Evitar transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DST), como sífilis e AIDS, com o uso de métodos de barreira – camisinha, condom – nas relações sexuais.

Nos diabéticos e pessoas com problema de colesterol o tratamento com restrição alimentar e remédios é o mais indicado.

Nas demências consideradas degenerativas, como Alzheimer, estudos têm sido feitos na tentativa de identificar um vírus ou alteração metabólica que leve ao quadro demencial. Nos tumores cerebrais não há nenhuma forma de tratamento preventivo, mas somente curativo como cirurgia para ressecção dos mesmos.

Dependencia Quimica

A dependência química ou física é uma condição orgânica que nasce da utilização constante de certas drogas psicoativas, as quais consequentemente provocam o aparecimento de sintomas que envolvem especialmente o Sistema Nervoso Central, o qual se torna dependente de uma dada substância, sofrendo assim os efeitos de uma abstinência repentina e prolongada. O uso abusivo do álcool, de drogas consideradas ilegais e da nicotina pode gerar esta reação corporal.

A dependência é distinta do vício, que leva o usuário ao consumo excessivo e compulsivo da droga, gerando uma conexão psíquica mais profunda, uma ligação patológica com as substâncias utilizadas. Mas a sujeição química também é uma enfermidade, que exige tratamento eficaz e muitas vezes urgente.

Pode-se reconhecer este quadro através da observação de diversos sintomas, entre eles a carência de ampliar a dose habitual para se conquistar repetidamente o efeito desejado; ansiedade, irritação, incapacidade de dormir normalmente ou tremedeira, sensações desencadeadas pela tentativa de se abster da droga; consumo cada vez maior ou por mais tempo do que a pessoa havia planejado; necessidade contínua de reduzir ou dominar a utilização da droga ou experiências frustradas neste sentido; amplo dispêndio temporal com tentativas de conquistar e ingerir as substâncias almejadas, ou com a cura de suas consequências; deixar de lado as antigas ocupações sociais e culturais em prol do uso da droga; consumo constante, sem controle, da química de que a pessoa se tornou dependente.

Infelizmente os casos de dependência química vêm crescendo velozmente, constituindo hoje uma das enfermidades psíquicas mais constantes. Apenas a ingestão de cocaína decresceu na última década, mas ao mesmo tempo o número de dependentes do crack tornou-se mais amplo, pois esta droga chega mais rapidamente e de forma mais impactante ao Sistema Nervoso Central. As consequências são também mais drásticas e a dependência mais séria e difícil de sanar.

Não é fácil tratar esta doença, pois as reincidências são altas, praticamente metade dos usuários tem uma recaída nos primeiros seis meses e 90% no primeiro ano. Porém, já que ela é classificada como uma enfermidade de natureza crônica, estes números são previsíveis e não indicam a impossibilidade do tratamento. O mais importante é o paciente se sentir estimulado para seguir adiante no processo de recuperação, mobilizar o poder da sua vontade. Ele deve estar preparado para enfrentar os inevitáveis sinais da abstinência, entre eles o aumento da frequência cardíaca e/ou da pressão arterial; suor excessivo; corpo trêmulo e, em estágios mais avançados, ele pode apresentar confusão mental, estados alucinatórios e convulsões.

O dependente será diagnosticado e tratado conforme a droga que ele estiver consumindo, mas normalmente é necessário administrar outro elemento químico ou medicamento, para suprir a retirada repentina da substância habitualmente ingerida. A eficácia de alguns remédios foi testada e demonstrada, assim já é possível alcançar bons resultados no tratamento da dependência do álcool e da nicotina; mas as outras drogas não encontraram ainda um adversário à altura da devastação provocada por elas no organismo humano.

A adoção da psicoterapia também é fundamental na recuperação do paciente. A linha que tem alcançado maiores resultados é a cognitivocomportamental, que foca especialmente nos quadros de consumo e de abstinência das drogas, procurando despertar no dependente químico condições para que ele se previna de contextos que o levem a recair na ingestão de substâncias químicas que induzem à dependência. É importante igualmente recorrer ao auxílio de órgãos próprios para cada caso, como o Alcoólatras ou Narcóticos Anônimos, até mesmo para a orientação dos próprios familiares. Internar o paciente só é recomendado em contextos mais radicais, como a possibilidade da ocorrência de suicídios, estados de agressividade, psicose e total perda de controle no consumo da droga.

Em nenhum momento pode-se afirmar que o dependente está curado, pois ele sempre trará em si a potencial recaída, que só será evitada se o paciente se abstiver da droga pelo resto de sua existência. Há perspectivas de que, futuramente, a ciência desenvolva remédios mais apropriados para cada situação de dependência; vacinas contra o uso da cocaína e da nicotina têm sido testadas em cobaias humanas. É importante igualmente ter consciência de que alguns medicamentos, os quais só podem ser consumidos por orientação médica, também podem provocar dependência.

Fontes:
http://www.copacabanarunners.net/dependencia-quimica.html
http://www.neurociencias.org.br/Display.php?Area=Textos&Texto=DependenciaQuimica

Depressão

O termo Depressão pode significar um sintoma que faz parte de inúmeros distúrbios emocionais sem ser exclusivo de nenhum deles, pode significar uma síndrome traduzida por muitos e variáveis sintomas somáticos ou ainda, pode significar uma doença, caracterizada por marcantes alterações afetivas.

No caso do Transtorno Depressivo a depressão é caracterizado por uma alteração psíquica e orgânica global, com consequentes alterações na maneira de valorizar a realidade e a vida. É uma doença que compromete o físico, o humor e, em consequência, o pensamento.

A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida. Ela afeta a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas.

Normalmente a pessoa depressiva tem uma visão negativada da tríade cognitiva, ou seja, tem uma visão negativa de si, do mundo que a cerca e de seu futuro.

Distimia

Transtorno distímico ou depressão crônica, mais conhecida como distimia, é um tipo de depressão que se caracteriza principalmente pela falta de prazer ou divertimento na vida e pelo constante sentimento de negatividade. Os sintomas da distimia se estendem por pelo menos dois anos. Ela se difere dos outros tipos de depressão pelos sintomas serem mais leves e contínuos.

Apesar de geralmente não privar o indivíduo de suas tarefas e obrigações, impede que ele desfrute a vida totalmente. A distimia também estende-se por um período muito maior que os episódios de distúrbios depressivos severos. Frequentemente, se percebe que pessoas distímicas são desanimadas e/ou muito regradas.

O paciente com distimia:

• apresenta baixa ou nenhuma autoestima;
• sente-se desmotivado;
• possui constante sensação de falta de esperança e um sentimento de negatividade;
• desinteresse ou perda do prazer pela maioria das suas atividades, ou perde totalmente o interesse em todas elas;
• tem insônia ou dorme excessivamente;
• apresenta perda de apetite ou alimentação exagerada;
• esquecimento de tarefas simples e recentes, assim como dificuldade de concentração;
• tende ao isolamento, tem poucos amigos e vida social limitada;
• apresenta sentimento de rejeição pelos outros;
• sente uma falta de capacidade;
• tem constante irritabilidade e/ou descontentamento.

O paciente também pode apresentar pensamentos suicidas e tendência para consumir drogas, álcool, e tabaco, aumentando a frequência e a quantidade consumida dessas substâncias se já as utilizar.

Vale ressaltar que, apesar de o paciente sentir todos ou alguns desses sintomas, a distimia geralmente não impede que ele continue vivendo sua vida normalmente (ou seja, ir ao emprego, à faculdade, etc.). Porém, percebe-se que pessoas distímicas reclamam demais , têm um  pensamento negativista, a tendência ao pessimismo, uma sensação de que nada pode ajudar e relutância em fazer alguma coisa para mudar certas realidades indesejadas.

A distimia manifesta-se pela primeira vez, na maioria, das vezes em jovens solteiros abaixo dos 25 anos. Sua incidência é maior nas mulheres.

A distimia pode ser confundida com o transtorno de personalidade dependente e com outros transtornos de humor pela semelhança dos sintomas. Segundo Spanemberg, cerca de 50% dos pacientes não serão reconhecidos e cerca de 77% vão apresentar comorbidades.

Existem várias causas, dependendo de cada caso. Está claro que as pessoas que enfrentam muitas situações de estresse excessivo, apresentam risco aumentado de desenvolverem depressão crônica. Psicólogos comportamentais chamam essa causa de desamparo aprendido. Por essa relação com estresse excessivo distimia (e outros transtornos de humor depressivo) são comuns em profissionais de saúde, professores, Administrador de sistemas, economistas, policiais, bombeiros e qualquer outra profissão que lide com estresse excessivo constante (também chamado de distresse).

Esses eventos são representados por: perda de um ente querido, estresse crônico associado à pobreza ou ao desemprego, doença crônica ou dor crônica. Algumas pessoas também podem apresentar fatores genéticos que predisponham à depressão crônica, e esses pacientes tem maior probabilidade de desenvolver distimia mesmo com uma estimulação menor.

Existem, ainda, alguns hábitos que podem aumentar a chance de uma pessoa tornar-se depressiva, como ter um estilo de pensamento negativista, tendência ao pessimismo, sensação de que nada pode ajudar, relutância em fazer alguma coisa para mudar certas realidades indesejadas. A pessoa distimica, além da tendência em tornar-se depressiva, ainda incorpora alguns sentimentos como não se sentir feliz e a felicidade alheia a incomodar, mostra-se geralmente pessimista e exageradamente individualista, instabilidade de humor (principalmente no tocante a uma irritabilidade inesperada), bem como sentir-se invadida em seu espaço (local onde mora, onde trabalha, onde passa maior parte do seu tempo).

Algumas pessoas com distimia respondem ao tratamento com medicamentos antidepressivos. Para depressões brandas ou moderadas, a Associação de Psiquiatria Estadunidense, no ano 2000, em suas diretrizes para tratamento de pacientes com desordens depressivas severas, aconselha que a psicoterapia sozinha ou acompanhada de antidepressivos pode ser apropriada.

Normalmente é tratado com Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) como a Fluoxetina(nomes comerciais: Prozac, Daforin) em conjunto com psicoterapia ou só com a psicoterapia.

Durante a psicoterapia, uma possível terapia da abordagem Psicologia cognitiva envolveria mediar formas mais saudáveis de enfrentamento, mediar novas formas de mobilizar recursos (ambientais, sociais, informativos…), ensinar técnicas de relaxamento, levar o cliente a refletir sobre as vantagens de encarar seus problemas com pensamentos mais otimistas e promover maior qualidade de vida mediando comportamentos como se exercitar, manter uma rotina e fontes de alívio de estresse mais saudáveis.

Já uma terapia da Psicologia comportamental poderia se focalizar mais numa re-educação de padrões de comportamento que desencadeiam reações de estresse, um treino de assertividade e em uma dessensibilização sistemática dos eventos mais estressores.

É importante ressaltar que a psicoterapia mais adequada varia muito de acordo com o paciente e da experiência do profissional.

Após o final do período de distimia, o paciente começa a relatar a (re)tomada de gosto por atividades que antes considerava chatas ou entediantes. Nessa nova fase é comum lamentar o tempo perdido e todos os transtornos que a doença causou em sua vida social e/ou profissional. Uma sensação de vazio interior é descrita por muitos pacientes, o que leva o tratamento a abordar agora essa nova condição do indivíduo. Porém, deve-se ressaltar também, que a distimia, por ser crônica, não possui uma cura definida. Em quase todos os casos, o paciente distímico volta a ter recaídas depressivas e seus sintomas distímicos também reaparecem.

Fonte: Wikipedia.org

Esquizofrenia

É considerada pela psicopatologia como um tipo de sofrimento psíquico grave, caracterizado principalmente pela alteração no contato com a realidade (psicose).

Segundo o DSM-IV, é um transtorno psíquico severo caracterizado por dois ou mais dentre o seguinte conjunto de sintomas por pelo menos um mês: alucinações visuais, sinestésicas ou auditivas,delírios, fala desorganizada (incompreensível), catatonia ou/e sintomas depressivos.

Juntamente com a paranoia (transtorno delirante persistente, na CID-10), o transtorno esquizofreniforme e o transtorno esquizoafetivo, as esquizofrenias compõem o grupo das psicoses.

É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir pessoas de qualquer idade, gênero, raça, classe social e país.

Segundo estudos da OMS, atinge cerca de 1% da população mundial.

Fobia Social

É considerada pela psicopatologia como um tipo de sofrimento psíquico grave, caracterizado principalmente pela alteração no contato com a realidade (psicose).

Segundo o DSM-IV, é um transtorno psíquico severo caracterizado por dois ou mais dentre o seguinte conjunto de sintomas por pelo menos um mês: alucinações visuais, sinestésicas ou auditivas, delírios, fala desorganizada (incompreensível), catatonia ou/e sintomas depressivos. Juntamente com a paranoia (transtorno delirante persistente, na CID-10), o transtorno esquizofreniforme e o transtorno esquizoafetivo, as esquizofrenias compõem o grupo das psicoses.

É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir pessoas de qualquer idade, gênero, raça, classe social e país. Segundo estudos da OMS, atinge cerca de 1% da população mundial.

Insônia

A insônia se caracteriza pela incapacidade de conciliar o sono e pode manifestar-se em seu período inicial, intermediário ou final.

O tempo necessário para um sono reparador varia de uma pessoa para outra. A maioria, porém, precisa dormir de sete a oito horas para acordar bem disposta. Pesquisas recentes sugerem que aqueles que consideram suficientes quatro ou cinco horas de sono por noite, na realidade, necessitariam dormir mais. Aparentemente, pessoas mais velhas dormem menos. Entretanto, o tempo que passam dormindo pode ser exatamente o mesmo da mocidade, dividido em períodos mais curtos e de sono mais superficial.

Localizar as causas da insônia pode ser facilitado pela poli-sonografia, um exame que monitora o paciente enquanto dorme.

Insônia pode ser tratada com medicamentos que devem ser prescritos pelo médico. Não se automedique.

Causas da insônia

A insônia pode ter causas orgânicas e psíquicas. Pesquisas apontam a produção inadequada de serotonina pelo organismo e o estresse provocado pelo desgaste cotidiano ou por situações-limite como causas mais importantes.

Recomendações

Algumas mudanças simples no estilo de vida podem ajudar a combater a insônia, mesmo quando ela for crônica:

– Limite o consumo de cafeína presente no café, chás, colas, chocolates, etc. Até a cafeína usada como ingrediente de alguns alimentos pode prejudicar o sono das pessoas mais sensíveis;

– Converse com seu médico sobre os remédios que esteja usando. Certos medicamentos descongestionantes podem ser tão estimulantes quanto a cafeína;

– Exercite-se regularmente, mas não perto da hora de dormir. Atividade física regular é essencial para quem sofre de ansiedade e ajuda a dormir melhor.  No entanto, a prática de exercícios vigorosos à noite pode atrapalhar o sono;

– Estabeleça uma rotina para seu horário de dormir e de despertar. O relógio biológico responde melhor se habituado a horários regulares. Mesmo nos finais de semana, tente manter o esquema estabelecido para os dias úteis;

– Procure relaxar antes de ir para cama. Ouça música, leia um pouco, converse, assista a um filme. Lembre-se de que, depois de uma noite de sono reparador, as soluções para os problemas podem fluir melhor. Se nada disso resolver, vale a pena buscar ajuda profissional;

– Use técnicas de relaxamento. Progressivamente contraia e relaxe todos os músculos do corpo, começando pelos dedos dos pés e terminando na face. Massageie suavemente o couro cabeludo. Tente visualizar uma cena ou paisagem que lhe traga satisfação;

– Tome um banho morno. Deixe a água escorrer pelo corpo durante algum tempo, pois isso ajuda a relaxar os músculos tensos;

– Tome um copo de leite morno. O leite contém o aminoácido triptofano, que relaxa os músculos e induz o sono;

– Experimente ingerir chás à base de ervas como camomila, erva-doce, erva-cidreira, etc. Eles têm sido usados há séculos por pessoas que garantem sua ação relaxante;

– Certifique-se de que não há claridade no quarto e a temperatura é agradável. Mesmo pouca luz pode atrapalhar o sono de algumas pessoas.

– Use protetores nos ouvidos, se o barulho incomoda e não há como eliminá-lo;

– Escolha o colchão adequado para seu peso e altura. Colchões muito macios ou muito duros são contra-indicados;

– Reserve a cama somente para dormir e para relações íntimas. Evite ler, ver TV, trabalhar e conversar no quarto;

– Relações sexuais são relaxantes. Após o orgasmo, as pessoas tendem a ficar sonolentas;

– Levante-se, se não conseguiu dormir depois de trinta minutos deitado. Ficar na cama acordado pode aumentar a ansiedade, a irritação e, conseqüentemente, a insônia. Procure distrair-se com alguma atividade tranquila e depois, mais cansado, volte para a cama e tente dormir. Repita o esquema, se necessário. Usando essa técnica, muitas pessoas conseguem reverter o processo.

Advertência

Insônia crônica requer avaliação profissional. É indispensável descobrir o que está causando essa dificuldade para dormir, pois a ausência do sono reparador pode prejudicar a saúde física e mental dos indivíduos. Por isso, não é à toa que torturadores impedem que o acusado durma quando querem arrancar deles uma confissão.

Fonte: Dr. Dráuzio Varella

Neurose

É uma doença emocional, afetiva e de personalidade e acontece quando o sistema nervoso de uma pessoa reage com exagero a uma determinada experiência já vivida. Uma pessoa neurótica passa a ter reações e comportamentos diferentes: fica muito ansiosa, evita sair de casa para ir a determinados lugares, tem medo de certas situações, imagina situações que pode fazer mal, ficam deprimidos mais constantemente, são mais preocupados. Uma pessoa neurótica sente tudo o que uma pessoa normal sente no seu dia-a-dia mas sempre exageradamente. Em geral uma pessoa neurótica sabe do seu problema, sofre com isso mas se sente incapaz de solucioná-lo.

O tratamento mais adequado para ajudar um paciente neurótico a lidar com esse distúrbio é a psicoterapia. A psicoterapia permite transformações profundas de personalidades e pode ser feita individualmente, em grupo, com casal, entre família e intervenção institucional.

Obesidade

A obesidade resulta do acúmulo excessivo de gordura que excede aos padrões estruturais e físicos do corpo. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), um aumento de 20% ou mais acima de seu peso corporal ideal significa que o excesso de peso tornou-se um risco à saúde. Hoje, 70 milhões de brasileiros, quase um terço da população, estão acima do peso ou obesos.

Estima-se que 1 milhão dessas pessoas
 sejam considerados morbidamente obesos. A Obesidade também pode ser definida como um aumento de peso às custas de tecido gorduroso. As causas mais freqüentes são: A origem genética (distúrbios da leptina), distúrbios endócrinos (doenças de tireóide, das glândulas suprarenais, hipófise, gônadas) além de maus hábitos alimentares associados a vida sedentária. O termo obesidade mórbida foi criado por Payne em 1963, um cirurgião americano, para caracterizar o potencial de complicações decorrentes da obesidade. Causas da Obesidade Morbida As razões para a obesidade são diversas e complexas. A obesidade não é simplesmente um resultado de alimentação excessiva.

Pesquisas têm demonstrado que, em muitos casos, uma causa significativa e fundamental da obesidade mórbida é a genética. Estudos demonstraram que, uma vez estabelecido o problema, esforços como programas de dieta e exercícios muito pouco adiantam para proporcionar um alívio eficaz a longo prazo. A ciência continua pesquisando outras respostas. Mas até que a doença da obesidade mórbida seja entendida melhor, o controle do peso excessivo é algo com o que os pacientes devem lidar durante a vida toda.

Por isso, é muito importante entender que todas as intervenções médicas atuais, incluindo a cirurgia para perda de peso, (cirurgia bariatrica, cirurgia de redução do estomago ou cirurgia para obesidade mórbida) não devem ser consideradas curas médicas. São tentativas de redução dos efeitos do peso excessivo e alívio de sérias conseqüências físicas, emocionais e sociais provenientes da obesidade mórbida.

Quem deve ser submetido a cirurgia?

Infelizmente, o tratamento clínico de indivíduos muito obesos apresenta resultado muito ruim, com reganho do peso na maioria das vezes. Atualmente, o tratamento mais eficaz para indivíduos com obesidade mórbida, é a cirurgia bariátrica.

Os candidatos á realização da cirurgia bariátrica (redução de estômago – bypass gástrico – gastroplastia redutora ou Capella) são pacientes com índice de massa corpórea igual ou superior a 40kg/m2 que tentaram tratamento clinico bem orientado e não obtiveram resultado satisfatório nos últimos dois anos. Também são candidatos a cirurgia de obesidade, pacientes com índice de massa corpórea entre 35 e 40kg/m2, associado a doenças como hipertensão arterial, dislipidemias (colesterol e triglicérides elevados) ou ainda diabetes, apnéia do sono ou artropatias do joelho, tornozelos e coluna.

A perda de peso que ocorre após a cirurgia reduz as complicações associadas com a obesidade e garante uma maior qualidade e expectativa de vida.

Quais são as doenças associadas à Obesidade ?

A obesidade pode causar uma série de doenças conhecidas como co-morbidades e que aumentam em muito a taxa de mortalidade e diminuem a expectativa de vida destes pacientes. As mais conhecidas são hipertensão arterial (pressão alta), diabetes mellitus, cálculos (pedras) da vesicula biliar, depressão, doenças nas articulações (principalmente nos joelhos), dificuldade para respirar durante o sono (apneia noturna), cansaço fácil, úlceras e varizes de membros inferiores, impotência sexual no homem além de um incidência maior de infarto agudo no miocárdio. A cirurgia da obesidade realmente funciona ? A Cirurgia da Obesidade Mórbida é a solução moderna e definitiva para o fim da obesidade sendo um tratamento bastante eficaz na perda de peso e na sua manutenção a longo prazo, evitando também que doenças associadas como o diabetes apareçam.

Existem diversos tipos de cirurgia. As opções se relacionam diretamente com o grau de obesidade, perfil do paciente e outras variaveis estudadas caso a caso. A cirurgia do bypass gastrico, tambem chamada de gastroplastia redutora, septação gastrica ou Capella por videolaparoscopia tem sido a mais utilizada.

Fatores que Contribuem para a Obesidade Mórbida

As causas fundamentais da obesidade severa são desconhecidas. Há muitos fatores que contribuem para o desenvolvimento da obesidade, incluindo transtornos genéticos, hereditários, ambientais, metabólicos e alimentares.

Há também determinadas condições médicas que podem resultar em obesidade, como o consumo de esteroides e hipotiroidismo.

Fatores Genéticos

Vários estudos científicos estabeleceram que os genes têm um papel importante na tendência de ganhar peso excessivo.O peso do corpo de crianças adotadas não apresenta correlação com o peso do corpo de seus pais adotivos, que os alimentam e ensinam como comer. Na verdade, seu peso tem uma correlação de 80 % com seus pais genéticos, que eles nunca encontraram.

Gêmeos idênticos, com os mesmos genes, apresentam uma similaridade muito maior de peso corporal que gêmeos fraternos, quem têm genes diferentes.

Provavelmente, temos diversos genes diretamente relacionados ao peso. Assim como alguns genes determinam a cor dos olhos ou altura, outros afetam nosso apetite, nossa capacidade de nos sentirmos cheios ou satisfeitos, nosso metabolismo, nossa capacidade de armazenar gordura e até nossos níveis naturais de atividade.

Fatores Ambientais

Os fatores ambientais e genéticos estão obviamente muito ligados. Se você tiver uma predisposição genética para obesidade mórbida, então o estilo de vida moderno e o meio ambiente podem dificultar ainda mais seu controle do peso.

Fast food, longos períodos do dia sentado em uma escrivaninha e morar em bairros distantes, o que requer o transporte em veículos, tudo isso reforça os fatores hereditários, como metabolismo e armazenamento de gordura.

Metabolismo 

Costumávamos pensar no ganho ou perda de peso somente como uma função de calorias ingeridas e, em seguida, queimadas. Consumir mais calorias do que queimá-las, faz você ganhar peso; queimar mais calorias do que ingeri-las, faz você perder peso. Mas agora sabemos que essa equação não é tão simples assim.

Pesquisadores em obesidade agora falam sobre uma teoria chamada de “set point” (ponto de ajuste), um tipo de termostato no cérebro, que torna as pessoas resistentes ao ganho ou perda de peso. Se tentar ignorar seu ponto de ajuste, cortando drasticamente sua ingestão de caloria, seu cérebro responde abaixando o metabolismo e reduzindo a velocidade da atividade. Então, você ganha de volta qualquer peso que tiver perdido.

Transtornos Alimentares e Condições Médicas

A cirurgia para perda de peso não é uma cura para os transtornos alimentares ou obesidade mórbida. Existem condições médicas, como hipotiroidismo, que podem causar o ganho de peso. Por isso, é importante trabalhar junto com seu médico, para assegurar que você não apresenta uma condição que deva ser tratada com medicamento e aconselhamento.

Ameaça à Saúde Causada pela Obesidade Mórbida

A obesidade mórbida traz consigo um aumento do risco de uma expectativa de vida mais curta. Para pessoas cujo peso excede duas vezes seu peso corporal ideal, o risco de uma morte prematura é dobrado em comparação às pessoas que não são obesas. O risco de morte por diabetes ou ataque cardíaco é de cinco a sete vezes maior. Além das condições de saúde relacionadas à obesidade, o ganho de peso por si só pode levar a uma condição conhecida como obesidade de “estágio final”, quando não há opções de tratamento disponíveis para a maioria dos casos. Além disso, uma morte prematura não é a única conseqüência em potencial. Efeitos sociais, psicológicos e econômicos decorrentes da obesidade mórbida, embora injustos, são reais e podem ser especialmente devastadores.

Psicose

É um quadro psicopatológico clássico, reconhecido pela psiquiatria, pela psicologia clínica e pela psicanálise como um estado psíquico no qual se verifica certa “perda de contato com a realidade”.

Nos períodos de crises mais intensas podem ocorrer (variando de caso a caso) alucinações ou delírios, desorganização psíquica que inclua pensamento desorganizado e/ou paranoide, acentuada inquietude psicomotora, sensações de angústia intensa e opressão, e insônia severa.

Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de “crítica” ou de “insight” que se traduz numa incapacidade de reconhecer o caráter estranho ou bizarro do comportamento. Desta forma surgem também, nos momentos de crise, dificuldades de interação social e em cumprir normalmente as atividades de vida diária.

Uma grande variedade de estressores do sistema nervoso, tanto orgânicos como funcionais, podem causar uma reação de sintomatologia, semelhante, porém não igual, a estrutura psicótica.

Muitos indivíduos têm experiências fora do comum ou mesmo relacionadas com uma distorção da realidade em alguma altura da sua vida sem necessariamente sofrerem grandes consequências para a sua vida. Como tal, alguns autores afirmam que não se pode separar a psicose da consciência normal, mas deve-se encará-la como fazendo parte de um continuum de consciência.

Para o psicodiagnóstico são feitas observações clínicas que incluem a anamnese, a história de vida do sujeito, seu quadro psicológico e de doenças. A depender do caso, pode-se chegar a meses para um quadro correto. O diagnóstico é feito com base na psicopatologia clínica e teórica. Dentre algumas psicoses encontram-se:

• Esquizofrenia
• Transtorno Afetivo Bipolar
• Psicose Maníaco-Depressiva
• Paranoia
• Delirium
• Transtorno esquizofreniforme
• Alucinação

Sindrome do Pânico

O transtorno do pânico caracteriza-se por crises de ansiedade ou medo, que ocorrem de forma intensa e inesperada. O pânico vem acompanhado de uma sensação de mal estar global, física e mental, promovendo o comportamento de fuga. Por isso, consideramos natural o pânico em situações concretas que podem promover tal comportamento, como estar em local aparentemente sem saída diante de um incêndio. O transtorno de pânico vem acompanhado por uma ansiedade antecipatória, comum em outros transtornos de ansiedade.

Trata-se da preocupação excessiva que antecede o evento. Como o paciente com pânico nunca sabe quando sofrerá nova crise, está sempre apreensivo. Quando associa a possibilidade de nova crise a algum local ou situação tende a esquivar-se dele, devido à ansiedade vinculada. Portanto, a evitação é um comportamento decorrente da atribuição do local a sua crise.

Por fim, a hipocondria é uma manifestação frequente no transtorno do pânico, talvez devido à associação das crises com sintomas físicos como mal estar cardíaco, torna comum a busca desses clientes por pronto socorro, laboratórios ou exames cardiológicos com um medo eminente de ataque cardíaco ou possibilidade de morte.

TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é um transtorno de ansiedade. Manifesta-se sob a forma de alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (obsessões como dúvidas, preocupações excessivas) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão).

Sua característica principal é a presença de obsessões: pensamentos, imagens ou impulsos que invadem a mente e que são acompanhados de ansiedade ou desconforto, e das compulsões ou rituais: comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos, realizados para reduzir a aflição que acompanha as obsessões.

Dentre as obsessões mais comuns estão a preocupação excessiva com limpeza (obsessão) que é seguida de lavagens repetidas (compulsão). Um outro exemplo são as dúvidas (obsessão), que são seguidas de verificações (compulsão).

A pessoa portadora de TOC tenta ignorá-los ou eliminá-los através de ações que são intencionais e repetitivas. Geralmente reconhece que seu comportamento é excessivo ou que não há muita razão para fazê-lo.

As obsessões ou compulsões acarretam grande estresse, consomem tempo (mais de uma hora por dia) ou interferem bastante na rotina normal, no trabalho ou nas atividades sociais e relacionamentos interpessoais.

Transtorno Mentais

Doença Mental é uma variação mórbida do estado mental normal, suficiente para causar prejuízo global da pessoa.

Baseado na Organização Mundial de Saúde – OMS – ONU, entendem-se comoTranstornos Mentais e Comportamentais as condições caracterizadas por alterações mórbidas do modo de pensar e/ou do humor (emoções), e/ou por alterações mórbidas do comportamento associadas a angústia expressiva e/ou deterioração do funcionamento psíquico global. Os Transtornos Mentais e Comportamentais não constituem apenas variações dentro da escala do “normal”, sendo antes, fenômenos claramente anormais ou patológicos.

Um comportamento anormal ou um curto período de anormalidade do estado afetivo não significa, em si, a presença de distúrbio mental ou de comportamento. Para serem categorizadas como transtornos, é preciso que essas anormalidades sejam persistentes ou recorrentes e que resultem em certa deterioração ou perturbação do funcionamento pessoal, em uma ou mais esferas da vida. Os Transtornos Mentais e Comportamentais se caracterizam também por sintomas e sinais específicos e, geralmente, seguem um curso natural mais ou menos previsível, a menos que ocorram intervenções. Nem toda deterioração humana denota distúrbio mental.

As pessoas podem sofrer angústia em virtude de circunstâncias pessoais ou sociais e, a menos que sejam satisfeitos todos os critérios necessários para o diagnósticos de determinado distúrbio, essa angústia não constituirá distúrbio mental. Há diferença, por exemplo, entre um estado afetivo deprimido e depressão doença, o primeiro surgindo como resposta a uma determinada circunstância estressante e a outra como um a doença franca.

Diferentes modos de pensar e se comportar, entre diferentes culturas, podem influenciar a maneira pela qual se manifestam os Transtornos Mentais. Assim, as variações normais determinadas pela cultura não devem ser rotuladas como Transtornos Mentais, da mesma forma como, também, não podem ser tomadas como indicações de distúrbio mental as crenças sociais, religiosas e/ou políticas. Essas nuances étnicas e culturais fazem parte da chamada Psiquiatria Transcultural.  Os Transtornos Mentais e de Comportamento considerados pela Classificação Internacional das Doenças da OMS da ONU (CID.10) obedecem descrições clínicas e normas de diagnóstico e compõem uma lista bastante completa. Há também outros critérios de diagnóstico disponíveis para a pesquisa, para uma definição mais precisa desses transtornos, como é o caso do DSM.IV, da Associação Norte-americana de Psiquiatria. Todas essas classificações de Transtornos Mentais classificam síndromes, doenças e condições, mas não classificam pessoas, as quais podem sofrer um ou mais desarranjos emocionais durante um ou mais períodos da vida, independentemente das etiquetas diagnósticas estabelecidas pelo sistema.

O Diagnóstico

Para um entendimento mais prático e objetivo sobre o diagnóstico das doenças mentais veja a página O Diagnóstico em Psiquiatria.

Os Transtornos Mentais e Comportamentais são identificados e diagnosticados através dos métodos clínicos semelhantes aos utilizados para os transtornos físicos. Esses métodos incluem uma cuidadosa entrevista (anamnese) colhida com o paciente e com outras pessoas, incluindo sua família, um exame clínico sistemático para verificar o estado mental e suas condições orgânicas, testes e exames especializados que forem necessários. Registraram-se, nas últimas décadas, avanços importantes na padronização da avaliação mental e emocional, bem como na confiabilidade dos diagnósticos clínicos.

Graças aos esquemas internacionais estruturados e padronizados de entrevistas, graças às definições uniformes dos sinais, dos sintomas e dos critérios de diagnóstico, é possível atingir alto grau de confiabilidade e validade no diagnóstico de Transtornos Mentais. Esses sinais e sintomas foram internacionalmente definidos detalhadamente para permitir uma linguagem comum e uniforme em todo mundo científico, imprescindível para o diagnóstico e para as pesquisas. Assim, os critérios de diagnóstico para Transtornos Mentais foram padronizados internacionalmente de tal forma que, atualmente, é possível diagnosticar Transtornos Mentais de forma tão confiável e precisa quanto a maioria dos transtornos orgânicos.  Com a uniformidade dos métodos, critérios e conceitos a concordância entre dois especialistas em diagnóstico de Transtornos Mentais apresenta médias entre 70 e 90% (Wittchen et al. 1991; Wing et al. 1974; WHO 1992; APA 1994; Andrews et al. 1995). Essas cifras estão na mesma faixa da concordância de diagnóstico dos transtornos físicos como, por exemplo, a diabete, a hipertensão ou a doença coronariana e assim por diante.

Como um diagnóstico preciso é requisito essencial para uma intervenção apropriada, bem como para a dados estatísticos e epidemiológicos precisos, os avanços nos métodos de diagnóstico vieram facilitar, consideravelmente, a aplicação de princípios clínicos e de saúde pública na área da saúde mental. Embora a promoção da saúde mental positiva para todos os membros da sociedade seja evidentemente uma meta importante, ainda há muito que aprender sobre como atingir esse objetivo.

Fatores Biológicos, Psicológicos e Sociais
Por muitos anos, os cientistas discutiram a importância relativa dos fatores genéticos versus fatores ambientais no desenvolvimento de Transtornos Mentais e de Comportamento. Hoje, entre as causas, os determinantes e os agravantes da Doença Mental a separação artificial dos fatores biológicos, psicológicos e sociais tem constituído um grande obstáculo ao estudo e compreensão. Na verdade, esses transtornos mentais são semelhantes a muitas doenças físicas, pelo fato de resultarem de uma complexa interação de vários fatores.

A evidência científica moderna indica que os Transtornos Mentais e Comportamentais resultam de fatores genéticos e ambientais ou, em outras palavras, da interação da biologia com fatores socioambientais. O cérebro não reflete simplesmente o desenrolar determinista de complexos programas genéticos, nem é o comportamento humano mero
resultado do determinismo ambiental. Já desde antes do nascimento e por toda a vida, os genes e o meio ambiente estão envolvidos numa série de complexas interações. Essas interações são cruciais para o desenvolvimento e evolução dos Transtornos Mentais e Comportamentais.

A ciência moderna está mostrando, por exemplo, que a exposição a estressores durante o desenvolvimento inicial da personalidade está associada com a hiperatividade cerebral persistente e o aumento da probabilidade de depressão numa fase posterior da vida (Heim et al. 2000). É promissor o fato de se haver mostrado que a terapia comportamental para transtornos obsessivo-compulsivo resulta em mudanças na função cerebral que podem ser observadas usando técnicas de registro de imagens e que são iguais aos que se podem obter mediante o uso de terapia medicamentosa (Baxter et al. 1992).

Não obstante, o descobrimento de genes associados ao aumento do risco de transtornos emocionais continuará proporcionando instrumentos de pesquisa importantes, os quais, juntamente com uma compreensão maior dos circuitos neurais, virão trazer novos e importantes vislumbres à fisiopatologia dos Transtornos Mentais e de Comportamento.

Ainda há muito que aprender sobre as causas e agravantes dos Transtornos Mentais e Comportamentais, mas as contribuições da neurociência, da genética, da psicologia e da sociologia, entre outras, desempenham importante papel informativo da maneira da psiquiatria compreender essas complexas relações. Uma apreciação cientificamente
fundamentada das interações entre os diferentes fatores contribuirá poderosamente para erradicar a ignorância e pôr paradeiro aos maus-tratos infligidos pela própria sociedade às pessoas com esses problemas.

1. – Fatores Biológicos
A idade e o sexo estão associados com Transtornos Mentais e Comportamentais. Já foi demonstrada a associação dos Transtornos Mentais e Comportamentais com perturbações da comunicação neural no interior de circuitos específicos. Na esquizofrenia, anormalidades na maturação dos circuitos neurais podem produzir alterações detectáveis na patologia no nível das células e dos tecidos grossos, as quais resultam no processamento incorreto ou mal adaptativo de informações (Lewis e Lieberman 2000).

Na depressão, contudo, é possível que não ocorram anormalidades anatômicas distintas e o risco da doença pode ser devido antes a variações na responsividade dos circuitos neurais (Berke e Hyman 2000). Estas, por sua vez, podem refletir alterações quase imperceptíveis na estrutura, na localização ou nos níveis de expressão de proteínas críticas para a função normal.

Certos Transtornos Mentais, como a dependência de substâncias psicoativas, por exemplo, podem ser encarados em parte como resultado de plasticidade sináptica mal adaptativa. Noutras palavras, alterações das  conexões sinápticas, resultantes quer da ação de drogas, quer da experiência, podem produzir alterações de longo prazo no pensamento,
na emoção e no comportamento.

Paralelamente ao progresso na neurociência, ocorreram avanços na genética. Quase todos os Transtornos Mentais e
Comportamentais graves comuns estão associados com um significativo componente de risco genético. Estudos do modo de transmissão de Transtornos Mentais entre diversas gerações de famílias extensas e estudos que comparam o risco de Transtornos Mentais em gêmeos monozigóticos (idênticos), em oposição a gêmeos dizigóticos (fraternais),  levaram, porém, à conclusão de que o risco das formas comuns de Transtornos Mentais é geneticamente complexo.

Os Transtornos Mentais e Comportamentais devem-se, predominantemente, à interação de múltiplos genes de risco com fatores ambientais. Ademais, é possível que a predisposição genética ao desenvolvimento de determinado distúrbio mental ou comportamental se manifeste somente em pessoas sujeitas a certos estressores que desencadeiam a patologia.

Os exemplos de fatores ambientais poderiam abranger desde a exposição a substâncias psicoativas no estado fetal, até a desnutrição, infecção, perturbação do ambiente familiar, abandono, isolamento e trauma.

2. – Fatores Psicológicos
Existem também fatores psicológicos individuais que se relacionam com a manifestação de Transtornos Mentais e Comportamentais. Um importante achado ocorrido no século XX e que deu forma à compreensão atual, é a importância decisiva do relacionamento Com os pais e outros provedores de atenção durante a infância.

O cuidado afetuoso, atento e estável permite ao lactente e à criança pequena desenvolver normalmente funções como a linguagem, o intelecto e a regulação emocional. O malogro pode ser causado por problemas de saúde mental, doença ou morte de um provedor de atenção.

A criança pode ficar separada do provedor devido à pobreza, guerra ou deslocamento populacional. A criança pode carecer de atenção por não haver serviços sociais disponíveis na comunidade maior. Seja qual for a causa específica, a criança privada de afeto por parte de seus cuidadores tem mais probabilidades de manifestar Transtornos Mentais e Comportamentais, seja durante a infância ou numa fase posterior da vida.

A comprovação desse achado foi dada por lactentes que viviam em instituições que não proporcionavam um nível de estimulação suficiente. Embora recebessem nutrição adequada e atenção física, essas crianças tinham grandes chances de apresentar graves prejuízos nas interações com outras, na expressividade emocional e na maneira de lidar com a adaptação às ocorrências estressantes. Em certos casos, verificaram-se também déficits intelectuais.

Outro achado importante é o de que o comportamento humano e configurado, em parte, através de interações com o meio ambiente natural ou social. Essas interações podem resultar em consequências desejáveis ou indesejáveis para o indivíduo. Basicamente, estes têm mais probabilidades de praticar comportamentos que são recompensados pelo ambiente e menos probabilidades de praticar comportamentos que são ignorados ou castigados.

Assim, os Transtornos Mentais e Comportamentais podem ser considerados como comportamento mal adaptativo aprendido, seja diretamente, seja pela observação de outros com o passar do tempo. Provas disso vêm de décadas de investigação sobre aprendizagem e comportamento, confirmadas ainda pelo sucesso da terapia do comportamento, que usa esses princípios para ajudar as pessoas a alterar padrões mal adaptativos de pensamento e comportamento.

Finalmente, a ciência psicológica mostrou que certos tipos de transtornos mentais e comportamentais, como a ansiedade e a depressão, podem ocorrer em consequência da incapacidade de se adaptar a uma ocorrência vital estressante. De modo geral, as pessoas que procuram não pensar nos estressores ou fazer face a eles têm mais probabilidades de manifestar ansiedade ou depressão, enquanto as que discutem seus problemas com outras e procuram encontrar meios de controlar os estressores funcionam melhor com o passar do tempo. Esse achado levou ao desenvolvimento de intervenções que consistem em ensinar aptidões para enfrentar a vida.
Coletivamente, essas descobertas contribuíram para a compreensão dos Transtornos Mentais e Comportamentais. Ademais, constituíram a base do desenvolvimento de toda uma série de intervenções efetivas.

3. – Fatores Sociais

Embora se tenha estabelecido a associação de fatores sociais, como por exemplo a urbanização e a pobreza com o desenvolvimento de Transtornos Mentais e Comportamentais, não há razão para supor que as consequências das alterações sociais para a saúde mental sejam as mesmas para todos os setores de determinado segmento social. As mudanças geralmente exercem efeitos diferenciais baseados no status econômico, no sexo, na raça e na etnia.

Entre 1950 e 2000, a proporção da população urbana da Ásia, África, América Central e do Sul subiu de 16% para 50% dos habitantes daquelas regiões (Harpham e Blue, 1995). Em 1950, as cidades do México e de São Paulo tinham, respectivamente, 3,1 milhões e 2,8 milhões de habitantes, mas em 2000 as populações estimadas de ambas eram de 10 milhões de habitantes.

A natureza da urbanização moderna pode ter consequências deletérias para a saúde mental, devido à influência de estressores maiores e de eventos vitais adversos mais numerosos, como por exemplo o congestionamento, a poluição do meio ambiente, a pobreza e a dependência comum em uma economia baseada no dinheiro, com altos níveis de violência ou reduzido apoio social (Desjarlais et al. 1995).

Aproximadamente a metade das populações urbanas em países de renda média e baixa vive na pobreza, e há dezenas de milhões de adultos e crianças sem teto. Em certas zonas, o desenvolvimento econômico está forçando um número crescente de indígenas a migrar para áreas urbanas em busca de uma forma mais viável de ganhar a vida.

Via de regra, a migração não produz melhoria do bem-estar social; ao contrário, resulta frequentemente em altos índices de desemprego e condições miseráveis de vida, expondo milhares de migrantes ao estresse social e a um risco maior de Transtornos Mentais devido à ausência de redes de apoio social. Os conflitos, as guerras e a inquietação social estão associados com elevação das taxas de problemas de saúde mental.

A vida real também é cheia de problemas para muitas pessoas. São problemas comuns o isolamento, falta de transportes e comunicações, e limitadas oportunidades educacionais e econômicas. Ademais, os serviços mentais e sociais tendem a concentrar os recursos e a perícia clínica nas grandes áreas metropolitanas, deixando poucas e limitadas opções para os habitantes rurais que, porventura, necessitem de atenção em saúde mental.

Um estudo recente sobre o suicídio de pessoas idosas em certas zonas rurais da Província de Hunan, na China, mostrou um índice de suicídios mais elevado nas áreas rurais (88,3 por 100.000) do que nas urbanas (24,4 por 100.000) (Xu et al. 2000). Em outros países, foram informados índices de depressão entre mulheres das áreas rurais mais de duas vezes maiores do que os das estimativas para mulheres na população geral (Hauenstein e Boyd 1994) .

Existe uma relação complexa e multidimensional entre pobreza e saúde mental. Em sua definição mais estrita, pobreza é a falta de dinheiro ou de posses materiais. Em termos mais amplos, talvez mais apropriados para discussões relacionadas com Transtornos Mentais e Comportamentais, pode-se entender como pobreza um estado em que não se dispõe dos meios suficientes, podendo incluir-se nisto a falta de recursos sociais ou educacionais.

A pobreza e as condições associadas a ela, como é o caso do desemprego, do baixo nível de instrução, da privação e do desabrigo, não somente estão muito difundidas nos países pobres, como também afetam uma minoria bastante considerável nos países ricos. Os pobres e os desfavorecidos acusam uma prevalência maior de Transtornos Mentais e Comportamentais, inclusive transtornos do uso de substâncias. Essa prevalência maior pode ser explicada tanto por uma ocorrência maior desses transtornos entre os pobres, como pela tendência à queda na pobreza dos mentalmente enfermos.

Embora haja controvérsia no tocante à determinação de qual desses dois mecanismos é responsável pela prevalência maior de Transtornos Mentais e Comportamentais entre os pobres, os indícios disponíveis parecem indicar que ambos são relevantes (Patel, 2001). Esse mecanismo causal, por exemplo, pode ser mais válido em relação aos transtornos de ansiedade e depressão, enquanto a teoria da queda na pobreza seria mais aplicável para os transtornos psicóticos e uso de substâncias.

Esses dois mecanismos, porém, não se excluem um ao outro: um indivíduo pode ser predisposto a Transtornos Mentais devido a sua situação social, enquanto outro que apresenta transtornos pode estar enfrentando uma privação maior pelo fato de estar doente. Tal privação inclui níveis mais
baixos de aproveitamento escolar, desemprego e, em casos extremos, desabrigo.

Visando ilustrar melhor as influências da biologia, da psicologia e da sociedade sobre o desenvolvimento das Doenças Mentais vamos reproduzir aqui a ideia contribuição do modelo proposto por Smith. Segundo esta, são quatro os mecanismos de influência, tanto para o desenvolvimento da personalidade quanto, obviamente, para o desenvolvimento das Doenças Mentais. São eles:

Mecanismo Genético-Constitucional Direto

O mecanismo genético direto sugere uma influência dos genes e/ou da constituição de maneira direta na formação da Personalidade. Neste caso, a influência ambiental é muito diminuta e a participação constitucional é quase absoluta. São poucas as situações que se enquadram neste mecanismo e a maioria delas refere-se aos casos de deficiência mental, como por exemplo, a Trissomia 21 ou Síndrome de Down, entre outras.

De um modo geral, são situações onde o patrimônio genético determina uma configuração especial no indivíduo de natureza decididamente irreversível e imune às alternativas terapêuticas atuais (grife-se “atuais”). Diz-nos o bom senso que de acordo com os avanços dos conhecimentos da genética, tais situações tendem a rarear cada vez mais. A detecção precoce de genes anômalos ou patogênicos e o conhecimento acerca da penetrância de tais genes prometem um futuro mais otimista na área da genética e da concepção humana. Entretanto, atualmente tais procedimentos corretivos da formação constitucional desenvolvem-se, quase exclusivamente, na esfera da prevenção e não do tratamento.

Falamos em Genético-Constitucionais e não apenas em Genéticos (como propunha Smith) devido às diferenças entre um acontecimento apenas genético e outro constitucional. Genético significa, em tese, hereditário. Constitucional, por sua vez, significa que faz parte da constituição da pessoa (inato), podendo ou não ser genético. A encefalopatia proporcionada pela toxoplasmose congênita, por exemplo, é constitucional, mas não é genética.

Mecanismo Genético-Constitucional Indireto

Neste caso, muito embora os traços marcantes da Personalidade possam ser determinados por fatores genéticos e/ou constitucionais, a atuação decisiva do ambiente poder alterar o curso do desenvolvimento do indivíduo. Uma surdez congênita, por exemplo, capaz de determinar uma Personalidade peculiar em decorrência das importantes limitações de desenvolvimento, será marcadamente atenuada caso o enfermo possa dispor de recursos especializados de treinamento e educação.

Os genes, neste caso, são herdados como possibilidades de se tornarem ou não determinantes de características na Personalidade, dependendo do tipo de atuação ambiental. Um indivíduo que tenha em si uma potencialidade genética de ser alto, por exemplo, poder terminar seu desenvolvimento com baixa estatura se o meio não lhe fornecer condições adequadas de nutrição.

Encontram-se, nesta possibilidade, os transtornos emocionais considerados endógenos pela psicopatologia. É o caso da esquizofrenia, por exemplo, que pode ou não se manifestar durante a vida do indivíduo apesar da probabilidade constitucional-genética. A eclosão franca da doença dependerá de um complexo conjunto de circunstâncias. Também a epilepsia poderia ser entendida através deste mecanismo, assim como outras condições psicopatológicas de comprovada concordância familiar.

Mecanismo Ambiental Geral

O ambiente em caráter geral, dentro do espaço sociocultural a que pertence o indivíduo, pode favorecer o desenvolvimento de alguns traços peculiares na forma de relacionamento para com o mundo. Os estímulos, as solicitações, as oportunidades de treinamento, as normas de convivência, enfim, todo o patrimônio oferecido à pessoa através do sistema sociocultural e ambiental poderá determinar modalidades características da pessoa existir.

Será sobre as potencialidades constitucionais que o ambiente desempenhará uma ação modeladora da Personalidade, ou seja, o ambiente poderá alterar os rumos do desenvolvimento geral conferindo uma determinada maneira do indivíduo ser. Em termos psicopatológicos podemos alocar aqui alguns transtornos ditos neuróticos, com notável predominância dos elementos existenciais sobre os constitucionais.

Mecanismo Ambiental Específico

Encontramos aqui os elementos ambientais relacionados especificamente a determinados aspectos do desenvolvimento da Personalidade como, por exemplo, a desnutrição, o alcoolismo, certas infecções, intoxicações, etc. São intercorrências ambientais que atuam na Personalidade especificamente neste ou naquele aspecto, como pode ser o caso de um traumatismo craniano, após o qual o indivíduo tenha passado a apresentar convulsões ou demenciação.

Neste caso podemos detectar UM elemento ambiental específico e responsável pela alteração no rumo do desenvolvimento da Personalidade. Isso quer dizer que sem este fator ambiental específico a Personalidade tomaria outro rumo e o indivíduo apresentar-se-ia na vida com outro desempenho existencial.

Embora a proposta esquematizada por Smith possa facilitar uma reflexão acerca do problema ambiente-constituição na gênese da Personalidade ou, mais além, na gênese dos transtornos da Personalidade, isso não deve ser tomado como uma questão hermética. Tanto para o desenvolvimento da Personalidade normal, quanto da patológica ou da não-normal, sempre iremos nos defrontar com uma condição multifatorial. Uma conjunção de vários destes mecanismos de influência.

Na psicopatologia a ideia de causalidade deve ser vista com muita prudência. Nenhuma situação de desenvolvimento da Personalidade poderá ser determinada, exclusivamente, por este ou por aquele mecanismo proposto por Smith, antes disso, o que se vê com mais frequência é sim uma conjunção de mais de um deles.

Como se vê, atualmente o mais sensato seria admitir uma natureza biopsicossocial para como origem da Personalidade e o peso com que cada qual desses elementos participam na maneira como a pessoa É hoje, aqui e agora, será extremamente variável e individual.

Outras questões envolvidas

Os Transtornos Mentais podem causar incapacidade grave e definitiva, inclusive a incapacidade de trabalhar. Não havendo apoio social disponível, como frequentemente ocorre nos países em desenvolvimento, não havendo organismos de bem-estar social organizados, o empobrecimento se verifica com bastante rapidez.

Há indicações também, de que a progressão dos Transtornos Mentais e Comportamentais é determinada pelo status socioeconômico do indivíduo. Isso pode ser devido à falta geral de serviços de saúde mental, combinada com as barreiras enfrentadas por certos grupos socioeconômicos no acesso à atenção. Os países pobres dispõem de poucos recursos para atenção em saúde mental e, muitas vezes, tais recursos não estão disponíveis para os setores mais pobres da sociedade.

Mesmo nos países ricos, a pobreza, juntamente com fatores associados, tais como a falta de cobertura de seguros, nível mais baixo de instrução, desemprego e situação minoritária, em termos de raça, etnia e idioma, pode criar barreiras insuperáveis à atenção. O desnível de tratamento para a maioria dos Transtornos Mentais, que já é alto, mostra-se efetivamente enorme para a população pobre.

Entre os diferentes elementos econômicos, os múltiplos papéis desempenhados pela mulher na sociedade, colocam-na em maior risco de Transtornos Mentais e Comportamentais. As mulheres continuam arcando com o fardo da responsabilidade, associado com as condições de esposas, mães, educadoras e provedoras de atenção para outros, ao mesmo tempo em que se estão transformando numa parte cada vez mais essencial da mão-de-obra, constituindo, em um quarto a um terço das famílias, a principal fonte de renda.

Além das pressões impostas às mulheres em virtude da expansão de seus papéis, não raro em conflito, elas vivenciam significativa discriminação sexual, concomitante à pobreza, à fome, à desnutrição, ao excesso de trabalho, à violência doméstica e sexual.

Assim, pouco surpreende que as mulheres tenham acusado maior probabilidade do que os homens em receber prescrição de psicotrópicos. A violência contra a mulher constitui um significativo problema social e de saúde pública que afeta mulheres de todas as idades, de todos ambientes culturais e em todos os níveis de renda.

O racismo também levanta questões importantes. Embora ainda haja relutância em debater o preconceito racial e étnico no contexto da saúde mental em certos setores sociais, pesquisas psicológicas, sociológicas e antropológicas demonstraram que o racismo está relacionado com perpetuação de problemas mentais. A julgar pelos indícios disponíveis, as pessoas alvo do racismo por muito tempo têm maior risco de apresentar problemas mentais ou sofrer agravamento de problemas que já existem. Psiquiatras que estudam a relação entre racismo e saúde mental nas sociedades onde o racismo é prevalente, observaram que o racismo pode acentuar a depressão, por exemplo.

Numa recente resenha de dez estudos de diferentes grupos sociais na América do Norte, perfazendo um total de 15.000 respondentes, verificou-se uma associação positiva fortemente estabelecida entre experiências de racismo e angústia psicológica (Williams e Williams-Morris, 2000).

A influência do racismo pode ser considerada também em nível da saúde mental coletiva, de grupos e sociedades. O racismo tem fomentado muitos sistemas sociais opressores ao redor do mundo e através dos tempos. Na história. recente, o racismo permitiu aos brancos africanos do sul, definir os sul-africanos negros como “inimigos”, e assim cometer atos que, em outras circunstâncias, seriam considerados moralmente repreensíveis.

As proporções e a rapidez extraordinárias da mudança tecnológica nos fins do século XX é outro fator associado à manifestação de Transtornos Mentais e Comportamentais. Essas mudanças tecnológicas, especialmente a revolução nas comunicações, oferecem tremendas oportunidades para um incremento da disseminação de informações e emancipação de seus usuários. A telemedicina hoje possibilita proporcionar tratamento à distância.

Esses avanços têm, contudo, seu lado negativo. Há indícios sugerindo que a própria mídia pode ter influência sobre os níveis de violência, sobre o comportamento sexual e sobre o interesse na pornografia. A exposição à violência nos jogos de vídeo também aumenta o comportamento agressivo e outras tendências agressivas (Dill e Dill, 1998). Hoje em dia, os gastos com a publicidade em todo o mundo estão ultrapassando em um terço o crescimento da economia mundial. A comercialização agressiva está desempenhando papel substancial na globalização do uso de álcool e tabaco entre os jovens, aumentando assim o risco de transtornos relacionados com o uso de substâncias e condições físicas associadas (Klein, 1999).

Fonte: www.psiqweb.med.br, 2008

Transtornos Bipolares

Psicose maníaco-depressiva, transtorno ou doença afetivo bipolar, incluindo tipos específicos de doenças ou transtornos do humor, como ciclotimia, hipomania e transtorno misto do humor.

O Transtorno Bipolar do Humor, antigamente denominado de psicose maníaco-depressiva, é caracterizado por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Estas mudanças vão desde oscilações normais, como nos estados de alegria e tristeza, até mudanças patológicas acentuadas e diferentes do normal, como episódios de MANIA, HIPOMANIA, DEPRESSÃO e MISTOS. É uma doença de grande impacto na vida do paciente, de sua família e sociedade, causando prejuízos frequentemente irreparáveis em vários setores da vida do indivíduo, como nas finanças, saúde, reputação, além do sofrimento psicológico. É relativamente comum, acometendo aproximadamente 8 a cada 100 indivíduos, manifestando-se igualmente em mulheres e homens.

A base da causa para a doença bipolar do humor não é inteiramente conhecida, assim como não o é para os demais distúrbios do humor. Sabe-se que os fatores biológicos (relativos a neurotransmissores cerebrais), genéticos, sociais e psicológicos somam-se no desencadeamento da doença. Em geral, os fatores genéticos e biológicos podem determinar como o indivíduo reage aos estressores psicológicos e sociais, mantendo a normalidade ou desencadeando doença.

O transtorno bipolar do humor tem uma importante característica genética, de modo que a tendência familiar à doença pode ser observada.

Pode iniciar na infância, geralmente com sintomas como irritabilidade intensa, impulsividade e aparentes “tempestades afetivas”. Um terço dos indivíduos manifestará a doença na adolescência e quase dois terços, até os 19 anos de idade, com muitos casos de mulheres podendo ter início entre os 45 e 50 anos. Raramente começa acima dos 50 anos, e quando isso acontece, é importante investigar outras causas.

A MANIA (eufórica) é caracterizada por:

  • Humor excessivamente animado, exaltado, eufórico, alegria exagerada e duradoura;
  • Extrema irritabilidade, impaciência ou “pavio muito curto”;
  • Agitação, inquietação física e mental;
  • Aumento de energia, da atividade, começando muitas coisas ao mesmo tempo sem conseguir terminá-las;
  • Otimismo e confiança exagerados;
  • Pouca capacidade de julgamento, incapacidade de discernir;
  • Crenças irreais sobre as próprias capacidades ou poderes, acreditando possuir muitos dons ou poderes especiais;
  • Idéias grandiosas;
  • Pensamentos acelerados, fala muito rápida, pulando de uma idéia para outra, tagarelice;
  • Facilidade em se distrair, incapacidade de se concentrar;
  • Comportamento inadequado, provocador, intrometido, agressivo ou de risco;
  • Gastos excessivos;
  • Desinibição, aumento do contato social, expansividade;
  • Aumento do impulso sexual;
  • Agressividade física e/ou verbal;
  • Insônia e pouca necessidade de sono;
  • Uso de drogas, em especial cocaína, álcool e soníferos.

Três ou mais sintomas aqui relacionados devem estar presentes por, no mínimo, uma semana.

A HIPOMANIA é um estado de euforia mais leve que não compromete tanto a capacidade de funcionamento do paciente. Geralmente, passa despercebida por ser confundida com estados normais de alegria e devem durar no mínimo dois dias.

A DEPRESSÃO, que pode ser de intensidade leve, moderada ou grave, é caracterizada por:

  • Humor melancólico, depressivo;
  • Perda de interesse ou prazer em atividades habitualmente interessantes;
  • Sentimentos de tristeza, vazio, ou aparência chorosa/melancólica;
  • Inquietação ou irritabilidade;
  • Perda ou aumento de apetite/peso, mesmo sem estar de dieta;
  • Excesso de sono ou incapacidade de dormir;
  • Sentir-se ou estar agitado demais ou excessivamente devagar (lentidão);
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Sentimentos de falta de esperança, culpa excessiva ou pessimismo;
  • Dificuldade de concentração, de se lembrar das coisas ou de tomar decisões;
  • Pensamentos de morte ou suicídio, planejamento ou tentativas de suicídio;
  • Dores ou outros sintomas corporais persistentes, não provocados por doenças ou lesões físicas.

Estes sintomas manifestam-se na maior parte do tempo por, pelo menos, DUAS semanas.

O ESTADO MISTO é caracterizado por:

Sintomas depressivos e maníacos acentuados acontecendo simultaneamente;
A pessoa pode sentir-se deprimida pela manhã e progressivamente eufórica com o passar do dia, ou vice-versa;
Pode ainda apresentar-se agitada, acelerada e ao mesmo tempo queixar-se de angústia, desesperança e ideias de suicídio;
Os sintomas frequentemente incluem agitação, insônia e alterações do apetite. Nos casos mais graves, podem haver sintomas psicóticos (alucinações e delírios) e pensamentos suicidas;

Os sintomas devem estar presentes a maior parte dos dias por, no mínimo, uma semana.

Existem três outras formas através das quais a doença bipolar do humor pode se manifestar, além de episódios bem definidos de mania e depressão.

Uma primeira forma seria a hipomania, em que também ocorre estado de humor elevado e expansivo, eufórico, mas de forma mais suave. Um episódio hipomaníaco, ao contrário da mania, não é suficientemente grave para causar prejuízo no trabalho ou nas relações sociais, nem para exigir a hospitalização da pessoa.

Uma segunda forma de apresentação da doença bipolar do humor seria a ocorrência de episódios mistos, quando em um mesmo dia haveria a alternância entre depressão e mania. Em poucas horas a pessoa pode chorar, ficar triste, sentindo-se sem valor e sem esperança, e no momento seguinte estar eufórica, sentindo-se capaz de tudo, ou irritada, falante e agressiva.

A terceira forma da doença bipolar do humor seria aquela conhecida como transtorno ciclotímico, ou apenas ciclotimia, em que haveria uma alteração crônica e flutuante do humor, marcada por numerosos períodos com sintomas maníacos e numerosos períodos com sintomas depressivos, que se alternariam. Tais sintomas depressivos e maníacos não seriam suficientemente graves nem ocorreriam em quantidade suficiente para se ter certeza de se tratar de depressão e de mania, respectivamente. Seria, portanto, facilmente confundida com o jeito de ser da pessoa, marcada por instabilidade do humor.

O diagnóstico da doença bipolar do humor deve ser feito por um médico psiquiátrico baseado nos sintomas do paciente. Não há exames de imagem ou laboratoriais que auxiliem o diagnóstico. A dosagem de lítio no sangue só é feita para as pessoas que usam carbonato de lítio como tratamento medicamentoso, a fim de se acompanhar a resposta ao remédio.

O tratamento, após o diagnóstico preciso, é medicamentoso, envolvendo uma classe de medicações chamada de estabilizadores do humor, da qual o carbonato de lítio é o mais estudado e o mais usado. A carbamazepina, a oxcarbazepina e o ácido valpróico também se mostram eficazes. Um acompanhamento psiquiátrico deve ser mantido por um longo período, sendo que algumas formas de psicoterapia podem colaborar para o tratamento.

Fonte: http://www.abcdasaude.com.br

Transtornos Psiquiátricos Relacionados ao Uso de substâncias Psicoativas

Sinônimos: dependência química, drogadições, abuso de drogas.

O uso de substâncias que modificam o estado psicológico tem ocorrido em todas as culturas conhecidas desde a Antiguidade mais remota. Costumavam ser associadas a rituais tradicionais nas várias culturas. Um remanescente desse aspecto ritualístico do uso de substâncias mantém-se na igreja católica que segue usando vinho durante sua celebração.

Em sociedades modernas, especialmente as ocidentais, o uso descontrolado destas substâncias tornou-se um dos principais problemas de saúde pública. Praticamente todos já tiveram algum tipo de contato com cafeína ou nicotina (cigarros) e a grande maioria já experimentou álcool e boa parte dos jovens já experimentou canabinóis (maconha). As medicações obtidas sob prescrição médica, incluindo tranquilizantes e inibidores do apetite, também tem sido abusadas em grande escala.

É considerada substância psicoativa (drogas) qualquer substância que, utilizada por qualquer via de administração, altera o humor, o nível de percepção ou o funcionamento cerebral, podendo ser legalmente usadas, prescritas ou ilícitas (ilegais). No entanto, não existe uma fronteira nítida entre o que seja um simples uso de drogas, um abuso ou mesmo uma dependência severa pois tudo isto se desenvolve em indivíduos singulares. A condição clínica resulta da interação da substância com a vulnerabilidade fisiológica e social de cada um.

É importante registrar que, na maior parte das vezes, o início de uso de substâncias psicoativas se dá no lar, com substâncias lícitas e contando com a anuência implícita ou explícita dos pais. As comemorações familiares costumam oportunizar especialmente o uso de tabaco e de álcool, frequentemente presentes até mesmo em festas de primeiro ano de vida das crianças da família.

Na progressão, desde a experimentação até os problemas, a substância vai assumindo um papel progressivamente mais importante na vida do usuário. Suas atividades e seu círculo social vão ficando cada vez mais associados ao uso, surgindo, então, problemas de natureza familiar, sociais, legais, financeiros e físicos, entre outros causados pela droga.

Considera-se abuso de drogas quando o uso ultrapassa qualquer padrão social ou médico aceitos para o uso desta substância e isso está causando prejuízos a vida do usuário em um ou mais dos aspectos citados acima. Já a dependência ou uso compulsivo implica uma necessidade (“fissura”) pela droga, seja de natureza psicológica ou física. Neste último caso, o organismo da pessoa adaptou-se à droga (tolerância) e apresenta sintomas quando de sua retirada.

Existe um número muito grande de substâncias psicoativas de uso corrente que podem ser classificadas de diferentes maneiras. Abaixo encontramos apenas informações sobre as drogas de maior significado pela frequência e disseminação de uso.

CANABINÓIS (MACONHA E HAXIXE)

A Maconha (Cannabis sativa) está entre as drogas mais usadas. O seu princípio ativo é o THC (delta-tetra-hidrocanabinol). Ele é extraído da planta pela queima das folhas, pequenos caules secos e flores e macerados. No Haxixe predomina a resina das flores, com elevada concentração do princípio ativo. Essas substâncias são preferentemente fumadas. Seus efeitos físicos são taquicardia, olhos avermelhados, boca seca, tremores de mãos, além de prejuízo da coordenação motora e da força muscular.

Seus efeitos psíquicos são variáveis. Em geral provocam relaxamento, diminuição da ansiedade, aumento do apetite, euforia, alteração da percepção do tempo, cores, sons e do espaço. Em função disso, pode facilitar a ocorrência de acidentes automobilísticos graves.

Em doses mais altas podem ocorrer delírios, alucinações com perda do sentido de realidade, além de sentimentos de perseguição. É considerada, equivocadamente, uma droga leve. A dependência física é evidenciada na retirada, por alterações do sono, humor e desconforto muscular difuso. Seu uso crônico pode dar origem a um quadro clínico caracterizado pelo prejuízo da memória de fixação, causando desinteresse, desmotivação para a vida quotidiana com sérios prejuízos à integração social, escolar ou profissional do indivíduo. O usuário crônico costuma ter desempenho abaixo de seu potencial em todas as áreas da vida, mostrando-se como imaturo com relação ao esperado para sua idade.

ESTIMULANTES DO SNC (COCAÍNA, CRACK , ÊXTASE E ANFETAMINAS)

Os estimulantes são substâncias cujo efeito predominante é o aumento da atividade do cérebro pelo bloqueio de células inibitórias ou pela liberação de substâncias neuro-transmissoras (substâncias liberadas por uma célula cerebral para comunicar-se com outras).

A cocaína é obtida pelo processamento da folha da coca (ou Erythroxylum coca) pode ter diferentes efeitos conforme a via de administração. A via intravenosa e o fumar (na forma de crack) têm efeitos mais rápidos, intensos e fugazes do que a inalatória (cheirar). Seus efeitos físicos são aumento da pressão arterial, temperatura, tremor de extremidades e midríase (dilatação da pupila).

Os efeitos psíquicos são sensação de bem estar, euforia, aumento da autoconfiança, hiperatividade, desinibição, abolição da fome e da sensação de cansaço. Com aumento da dose aparece ansiedade, irritabilidade, apreensão, desconfiança, podendo chegar a delírios e alucinações tanto auditivas quanto visuais.

Em usuários crônicos foi descrito um quadro de letargia, hipersonia, irritabilidade, humor depressivo que, em casos graves, pode até chegar ao suicídio. A cocaína desenvolve uma compulsão muito forte (“fissura”) nos seus usuários. No uso injetável pode causar arritmias cardíacas, convulsões, flebites, endocardites, além de AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), síndromes que são todas de elevada morbimortalidade. Por via nasal pode causar atrofia da mucosa nasal ou mesmo perfurações no septo nasal. No uso fumado (crack), pode produzir lesões na orofaringe e aparelho respiratório, especialmente pela elevada temperatura do material de uso e da fumaça aspirada com avidez pelo usuário.

As anfetaminas são também muito utilizadas sob forma de comprimidos anorexígenos, muitas vezes prescritos como coadjuvantes de tratamentos para emagrecer. Em geral, elas causam efeitos físicos e psíquicos semelhantes à cocaína. Podem também desencadear ataques típicos de pânico.

O êxtase é um subtipo dos anfetamínicos relacionado a efeitos mistos de humor e de sensopercepção. Seu uso, em um modelo ritualístico contemporâneo, se disseminou através de festas dançantes com música eletrônica de longa duração ou raves, seguindo um modelo semelhante aos tradicionais Kerbs, festas das colônias alemãs, que duram dias envolvendo muita dança e grande ingestão de cervejas. Exaustão e desidratação são ocorrências comuns nestas celebrações. A psicose pode sobrevir em indivíduos predispostos ou que chegam a doses elevadas.

BENZODIAZEPÍNICOS E OUTROS TRANQÜILIZANTES

São os medicamentos mais prescritos no mundo atualmente e utilizados como sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos. A grande maioria dos pacientes clínico-cirúrgicos hospitalizados recebem essas drogas. São substâncias com utilidade clínica, porém, têm importante potencial para abuso porque apresentam tolerância, dependência psíquica e dependência física. Em razão de sua imagem de droga prescrita e benigna, sua represcrição informal na comunidade é muito frequente. A disseminação do uso se dá também pela disponibilidade dentro do lar, onde vivem jovens vulneráveis, muitas vezes administrados por familiares.

Seu efeito é a depressão do sistema nervoso central, caracterizando-se por sonolência, níveis variáveis de sedação e relaxamento muscular. Assemelha-se à embriaguez produzida pelo álcool. Provocam prejuízo da memória e do desempenho psicomotor. Em doses muito elevadas podem causar intoxicações com sedação acentuada, arritmias cardíacas e depressão respiratória. De acordo com o tipo e freqüência de uso que a pessoa faz, esse comportamento pode ser considerado como uso recreativo, uso abusivo e dependência.

O uso recreativo ocorre mais frequentemente na adolescência, quando o interesse por sensações e prazeres diferentes acaba fazendo parte do próprio desenvolvimento do adolescente e facilita o contato com substâncias diferentes. O uso abusivo implica em que o usuário se exponha a riscos em decorrência do uso, busca ou efeito da droga, como por exemplo, dirigir sob efeito de álcool, que, além de ser crime, coloca em risco a sua vida e a de outras pessoas.

Quando o uso abusivo torna-se frequente, a pessoa pode desenvolver um quadro de dependência, no qual a vida passa a girar em torno da obtenção e do uso da substância, deixando de lado atividades diárias como trabalho, família, eventos sociais, escola. A obtenção se dá muitas vezes em farmácias que vendem esses fármacos burlando a exigência de receitas médicas, implicando em transgressões.

TRATAMENTO DAS DEPENDÊNCIAS QUÍMICAS

Não existe tratamento universal para as farmacodependências. Nenhuma modalidade terapêutica mostra-se claramente superior para todos os pacientes. Entretanto, existem alguns princípios comuns que devem estar presentes em qualquer abordagem terapêutica. O NIDA (National Institute on Drug Abuse) listou 13 princípios para o tratamento eficaz:

PRINCIPIO 1

Um único tratamento não é apropriado para todos os indivíduos. Combinar locais de tratamento, intervenção e serviços para os problemas e necessidades de cada indivíduo, em particular, é indispensável para o sucesso final, ao retornar para o funcionamento produtivo na família, local de trabalho e sociedade.

PRINCIPIO 2

O tratamento precisa estar prontamente disponível. Pelo fato de que os indivíduos dependentes em drogas podem estar duvidosos quanto a iniciarem em tratamento, aproveitar as oportunidades quando eles estão prontos é fundamental. Candidatos potenciais podem ser perdidos se o tratamento não estiver imediatamente acessível.

PRINCIPIO 3

Um tratamento eficaz é aquele que atende às diversas necessidades do indivíduos e não apenas ao uso de drogas. Para ser eficaz, um tratamento deve abordar o uso de drogas do indivíduo e quaisquer outros problemas associados: médico, psicológico, social, vocacional e legal.

PRINCIPIO 4

O tratamento de um indivíduo e o plano de serviços devem ser continuamente avaliados e modificados quando necessário para garantir que o plano atenda às necessidades mutáveis da pessoa. Um paciente pode precisar de combinações variadas de serviços e componentes de tratamento durante o curso da terapia e recuperação. Além de aconselhamento ou psicoterapia, um paciente às vezes pode requerer medicação, outros serviços médicos, terapia familiar, instruções aos pais, reabilitação vocacional, serviços legais e sociais. É fundamental que a abordagem do tratamento seja apropriada à idade, gênero, etnia e cultura do indivíduo.

PRINCIPIO 5

A permanência no tratamento por um período adequado de tempo é essencial para sua eficácia. A duração apropriada para um indivíduo depende de seus problemas e necessidades. Pesquisas indicam que para a maioria dos pacientes o limiar de melhoria significativa é alcançada com 3 meses de tratamento. Após alcançar esse limiar um tratamento adicional pode produzir mais progresso rumo à recuperação. Devido ao fato de as pessoas com freqüência deixarem o tratamento prematuramente os programas devem incluir estratégias para envolver e manter os pacientes.

PRINCIPIO 6

Aconselhamento (individual ou em grupo) e outras terapias comportamentais são componentes cruciais para um tratamento eficaz. Em terapia os pacientes mencionam temas como motivação, aquisição de habilidades para resistir ao uso de drogas, substituição de atividades que não impliquem em uso de drogas e melhoria de habilidades para resolver problemas. A terapia comportamental também facilita relações interpessoais e a habilidade do indivíduo para atuar em família e na comunidade.

PRINCIPIO 7

Medicações são um elemento importante no tratamento de vários pacientes, especialmente quando combinadas com aconselhamento e outras terapias comportamentais. Naltrexona é uma medicação eficaz para alguns pacientes com dependência de álcool. Para pessoas dependentes de nicotina, um produto de substituição da nicotina (tais como adesivos ou gomas) ou uma medicação oral (Bupropiona) pode ser um componente eficaz no tratamento. Para pacientes com distúrbios mentais, tanto os tratamentos comportamentais quanto os medicamentos podem ser de fundamental importância.

PRINCIPIO 8

Indivíduos com distúrbios mentais que sejam dependentes das drogas devem ser tratados de maneira integrada de ambos os problemas. Pelo fato de distúrbios mentais e de dependência freqüentemente ocorrerem no mesmo indivíduo, os pacientes que apresentarem ambas as condições devem ser avaliados e tratados pela recorrência de outro tipo de distúrbio.

PRINCIPIO 9

Desintoxicação é apenas o primeiro estágio do tratamento e isolada contribui pouco para mudança do uso de droga a longo prazo. Desintoxicação sob assistência médica administra com segurança os sintomas físicos agudos de abstinência associada à interrupção de uso de droga. Embora a desintoxicação sozinha seja raramente suficiente para auxiliar atingir abstinência por longos períodos, para alguns indivíduos é um precursor fortemente indicado em tratamento eficaz das drogas.

PRINCIPIO 10

O tratamento não precisa ser voluntário para ser eficaz. Uma forte motivação pode facilitar o processo do tratamento. Sanções ou carinho na família, estabelecimento de emprego ou o sistema de justiça podem aumentar significativamente tanto a entrada no tratamento quanto índices de retenção e o sucesso de intervenções no tratamento da dependência química. Pode-se inclusive recorrer a internações involuntárias para forçar o paciente a se tratar. Para isso é necessário uma indicação médica precisa.

PRINCIPIO 11

O possível uso de drogas durante o tratamento deve ser monitorado continuamente. Lapsos de uso de uso de drogas podem ocorrer durante o tratamento. O objetivo do monitoramento do uso de álcool e outras drogas por parte de um paciente durante o tratamento, através de exames de urina, pode ajudar o paciente a resistir ao uso de drogas. Tal monitoramento também pode proporcionar evidência concreta de uso de droga a fim de que o plano de tratamento do indivíduo possa ser ajustado. Feedback a pacientes que apresentarem resultado positivo ou negativo quanto ao uso de droga é um elemento importante de monitoramento.

PRINCIPIO 12

Programas de Tratamento devem proporcionar avaliação para AIDS/HIV, Hepatite B e C, Tuberculose e outras doenças. Aconselhamento pode ajudar pacientes a evitarem comportamento de risco. Pode também ajudar pessoas que já estejam infectadas a lidarem com sua doença.

PRINCIPIO 13

A recuperação do Dependente Químico pode ser um processo a longo prazo e freqüentemente requer vários episódios de tratamento. Tal como outras doenças crônicas, recorrências ao uso, de drogas podem acontecer durante ou após episódios de tratamento bem sucedidos. Indivíduos podem requerer tratamento prolongado e vários episódios de tratamento para atingir abstinência a longo prazo e restaurar funcionamento pleno. A participação em programas de apoio, de auto-ajuda, durante o tratamento é sempre útil na manutenção da abstinência.

Motivação para mudança

Uma variável significativa para o sucesso da abordagem do dependente químico é a avaliação continuada do estágio motivacional. Um paciente pouco motivado, graças a disponibilidade e informação de boa qualidade inteligível, pode avançar para a ação diante de seus problemas. Contudo, esse mesmo paciente motivado a mudar pode recuar para uma atitude de marcada indiferença às consequências de seu uso de álcool, tabaco e outras drogas. Essa variação de motivação contribui para que familiares e clínicos tenham intenso rechaço pelo dependente químico. A mera confrontação do dependente químico diante do seu histórico de problemas relacionados ao uso de drogas costuma produzir resultados muito inferiores ao da abordagem que leva em conta a ambivalência do indivíduo diante da contingência de ter de mudar seu estilo de vida.

Uma vez conquistada a abstinência ou mesmo um uso eventualmente não problemático das substâncias de eleição do dependente químico, ele e sua família terão a longo prazo o desafio de afastar as recaídas. Estas, quando ocorrem não devem levar todos a pensar que tudo foi perdido. Cada dia ganho em abstinência é em si irreversível, uma conquista definitiva a ser perpetuada em mais dias de igual sucesso. Pensar em um plano para as próximas 24 horas é uma estratégia clínica de enorme peso. Costuma, aliás ser a grande meta nas abordagens dos grupos de auto-ajuda, como AA e NA.

Fontes de informação sobre álcool, tabaco e outras drogas ou substâncias psicoativas:

1. ABEAD – Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas A ABEAD mantém um boletim de acesso livre com destaques das notícias mais relevantes relativas a drogas de abuso. Apresenta também material de consulta restrita para associados.

2. CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. O site do CEBRID oferece informações em vários níveis de complexidade, incluindo levantamentos epidemiológicos nacionais entre escolares e na população geral.

3. CREMESP – O conselho Regional de Medicina de São Paulo oferece uma boa introdução ao tema dos problemas decorrentes do uso de álcool, tabaco e outras drogas, intitulada “USUÁRIOS DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS – Abordagem, diagnóstico e tratamento”. http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Publicacoes&acao=detalhes&co d_publicacao=23

4. NIAAA – NIAAA National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism. O NIAAA oferece atualização focada no alcoolismo.

5. NIDA – National Institute on Drug Abuse. Este site apresenta informação sobre álcool, tabaco e outras drogas em vários níveis de complexidade e para públicos variados, desde adolescentes escolares até profissionais da saúde em busca de atualização.

6. SENAD – Secretaria Nacional. A SENAD mantém disponíveis informações sobre todas as substâncias com potencial de abuso e levantamentos epidemiológicos relativos ao uso de drogas no Brasil. Apresenta, ademais, informações relevantes para organizadores de serviços para atenção a usuários de álcool, tabaco e outras drogas.

7. VIVAVOZ – VIVA VOZ – 0800 510 0015. O VIVAVOZ é um serviços modelo para informação sobre drogas de abuso. Oferece também informações via telefone, tanto para quem busca conhecimento quanto assistência clínica.

8. UNIAD – Unidade de Pesquisa em álcool e Drogas. A UNIAD mantém um site com farta informação de acesso livre organizada em largo espectro de complexidade. Mantém também esforços em Pesquisa e Assistência.

Fonte: ABC da Saúde