A psicoterapia e o tempo

Um século de pesquisas e desenvolvimento permitem que a Psicoterapia alcance resultados cada vez maiores e mais significativos.

No geral, os prazos de tratamento são relativos aos objetivos almejados e à gravidade do problema.

Há vários desenvolvimentos recentes em psicoterapias breves, que são focadas em objetivos específicos. Atualmente é possível atingir resultados significativos em períodos de 6 a 12 meses e há processos terapêuticos mais profundos que se encerram satisfatoriamente em prazos inferiores a 3 anos.

Há casos que demandam um trabalho terapêutico mais demorado, geralmente com problemática mais séria, envolvendo traumas precoces, desorganização psicológica, problemas vinculares, imaturidade psicológica etc. Estes trabalhos podem exigir anos de trabalho contínuo,compensados por mudanças significativas que o trabalho psicoterapêutico pode propiciar.

Algumas pessoas encontram na terapia um ambiente fundamental de acompanhamento de seu processo de vida, de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal, onde são trabalhadas transformações profundas ao longo de vários anos. São situações em que o processo terapêutico não tem um prazo definido, em comum acordo entre o profissional e o cliente.

Apesar de poder parecer, à primeira vista, um tratamento oneroso em termos de tempo e dinheiro, a psicoterapia tem se mostrado, na realidade, um modo econômico de tratamento. Pesquisas indicam, por exemplo, que a psicoterapia diminui os índices de consumo de medicamentos e de internações hospitalares(2). A psicoterapia tem se mostrado também um tratamento economicamente compensador por prevenir e tratar problemas psicológicos que, quando não tratados, trazem enormes prejuízos financeiros para as pessoas, as famílias e mesmo para a economia do país (3).

Os tratamentos psicológicos demonstram uma grande potência de transformação das vidas, compensando os investimentos realizados.

Algumas Aplicações da Psicoterapia

A psicoterapia é um processo que permite transformações profundas da pessoa, com resultados evidentes em diversas situações como:

• tratamento de transtornos psicológicos como transtorno do pânico, fobias, transtorno dissociativo, depressão, anorexia, estresse pós traumático etc;
• tratamento de transtornos de personalidade como transtorno borderline, transtorno esquizóide, transtorno paranóide, etc;
• trabalho sobre conflitos pessoais, conjugais, familiares, interpessoais e grupais que podem produzir ou contribuir para o sofrimento psicológico;
• elaboração de crises existenciais, de transições difíceis (luto, crises profissionais, etc) e dificuldades nas mudanças de fases de vida (puberdade, adolescência, vida adulta, menopausa, envelhecimento, etc.).

A Psicoterapia pode trazer enormes benefícios como:

• desenvolvimento da capacidade de autogerenciamento, aprendendo a dialogar com os estados internos, a regular os estados emocionais e adquirir autonomia;
• desenvolvimento da capacidade de auto-obs ervação e auto-reflexão;
• sair dos padrões estereotipados e criar novas narrativas de si, novos modos de compreender e conduzir a própria vida;
• desenvolver habilidades interpessoais como capacidade empática – saber se colocar no lugar do outro -, capacidade de comunicação, assertividade, resolução de conflitos, etc;
• fortalecimento psicológico – ampliação da resiliência – para aumentar a tolerância e a capacidade de crescer com as dificuldades que a vida apresenta;
• favorecer a saúde integral, física e psicológica;
• busca de sentido existencial;
• amadurecimento psicológico.

As abordagens Teóricas

Há diversas escolas teóricas na Psicologia que podem ser agrupadas em cinco principais perspectivas, com seus ramos e derivações:

– Psicodinâmica (Psicanálise, Psicologia Analítica, etc);
– Humanista (Gestalt, Psicodrama, etc);
– Corporal (Reichiana, Bioenergética, etc);
– Cognitivo-comportamental;
– Sistêmica.

A diversidade decorre tanto da complexidade do tema – a psique humana – como da origem e desenvolvimento da Psicologia a partir da influência de diferentes ramos do conhecimento, da Filosofia, da Medicina, das Religiões, etc.

No geral, as diferentes abordagens teóricas apresentam alguns elementos básicos, como: (1) uma teoria sobre o funcionamento mental, (2) uma teoria do desenvolvimento, (3) uma explicação sobre a origem do sofrimento  (psicopatologia) e (4) uma visão sobre o processo terapêutico.

Ultimamente tem sido comum que terapeutas de uma abordagem teórica utilizem técnicas originadas em outras escolas. A busca de melhores resultados na clínica parece estar promovendo estes intercâmbios. Talvez isto indique um movimento na Psicologia de integração entre as diferentes abordagens teóricas.

As mudanças na psicoterapia

O processo terapêutico é como atravessar um túnel. Neste túnel você vai rever muitas cenas da historia da sua vida de um ângulo completamente novo, fazendo conexões inusitadas entre os eventos e percebendo a potência do passado para moldar quem você é hoje e a potência do presente para construir novas possibilidades de vida.

Na travessia deste túnel você vai aprender a reconhecer os seus padrões de comportamento que levam você a se comportar de modo parecido em situações diferentes, muitas vezes “repetindo os mesmos erros”. Você vai aprender a reconhecer o “como” do seu comportamento, como você age, como se relaciona, como pensa, como sente e vai aprender caminhos para poder influenciar e transformar estes padrões.

Esta é uma travessia acompanhada de alguém que pode ajudar você a se compreender. Alguém que pode te ajudar a transformar o seu jeito de ser, a mudar e a se conhecer profundamente. É uma travessia que pode mudar profundamente a sua vida.

Como a Psicoterapia Funciona

As pesquisas demonstram uma grande eficácia da psicoterapia. Mesmo as recentes tecnologias de mapeamento cerebral têm permitido demonstrar como o tratamento psicológico age transformando o funcionamento cerebral. A eficácia do tratamento psicológico, que já era conhecida há várias décadas, tem sido corroborado recentemente pelos novos conhecimentos das neurociências.

Existem centenas de livros e pesquisas explorando e explicando porque a psicoterapia funciona. Porém, como simples exercício de compreensão, vamos listar alguns motivos para tentar entender um pouco sobre a efetividade da psicoterapia.

No início da lista, organizada num continuum que vai do mais simples ao mais complexo, temos aqueles motivos que são comuns a outras relações de ajuda, mesmo não profissionais, como uma conversa íntima com um amigo, uma conversa sobre um problema pessoal com um professor, um médico, etc. Avançando na lista vamos chegando aos motivos que são próprios da psicoterapia, até aqueles que lhe são exclusivos – possíveis pelo meticuloso treinamento teórico e técnico adquirido pelo psicólogo em sua trajetória de formação profissional.

Eis alguns motivos pelos quais a psicoterapia funciona:

1) Ao dividir um problema você passa a ter “meio” problema. Compartilhar ajuda a aliviar a carga emocional e o sofrimento;

2) Os vínculos de ajuda têm um poder curativo. É mais fácil superar as dores através de uma relação autêntica de respeito mútuo do que sozinho. A relação terapêutica é uma relação de ajuda, de compreensão e apoio;

3) O psicólogo clínico (psicoterapeuta) é um outro , com o olhar e a perspectiva de um outro, o que lhe ajudará ver a sua vida de um modo diferente, lhe fazer perguntas diferentes, ajudá-lo a perceber as coisas de um ângulo que você não tinha visto antes e nem suspeitava ser possível. Assim, a psicoterapia faz você parar para refletir sobre a própria vida. Parar, observar e refletir permite muitas mudanças de orientação, sentido, rumo e aprofundamento da experiência de vida;

4) O psicoterapeuta conhece teorias psicológicas que ajudam na compreensão do que ocorre com você, auxiliam a identificar o que pode estar errado em sua vida, a direção que você está seguindo e as mudanças de rumo necessárias. A partir de seu conhecimento, o psicólogo pode apontar o que olhar, como olhar e o que fazer com o que se descobre, para que estas descobertas possam ser construtivas em sua vida;

5) O psicoterapeuta conhece métodos de investigação que tornam possível descobrir aspectos da sua personalidade que seriam inacessíveis a uma observação não treinada ou a uma conversa comum. Há um amplo espectro de técnicas de investigação psicológica que permitem esclarecer problemas de modo extremamente eficaz;

6) O psicoterapeuta domina técnicas terapêuticas que ajudam a realizar mudanças psicológicas profundas;

7) O psicoterapeuta está preparado para te compreender a partir do vínculo que você estabelece com ele, das respostas emocionais que você suscita nele. Em seu treinamento ele afinou a si mesmo como instrumento de trabalho para reconhecer pequenas nuances do que você mostra na relação com ele (e consequentemente com “os outros”) e assim poder compreender seus modos de vinculação e suas dificuldades nos relacionamentos;

8) O psicoterapeuta é capaz de oferecer uma presença autêntica no vínculo com você. Esta relação funciona como catalisador de processos de mudança necessários em sua vida, incluindo a superação dos efeitos de traumas de relacionamentos anteriores;

9) O psicoterapeuta passou por todos estes passos anteriores, tendo estado em todos os papéis, como cliente, como profissional e como observador, o que o habilita a “sentir-se em casa” em situações difíceis , poder caminhar por terrenos inóspitos, cheios de sofrimento e problemas emocionais e saber ajudar seu cliente a encontrar um caminho de melhora;

10) O psicoterapeuta inicia seu cliente num caminho de transformação pessoal. Isto é possível porque o psicoterapeuta tem um know-how, um saber fazer que vai além do conhecimento formal, da teoria e da técnica. É um saber baseado na experiência, experiência de vida e experiência da clínica.

Esta lista poderia ser estendida e aprofundada, mas pretendemos com ela dar uma idéia ao público leigo da natureza do trabalho da Psicologia Clínica numa linguagem diferente daquela do universo teórico, técnico e científico habitual na Psicologia.

Hipnose

A hipnose não é uma técnica psicoterápica, mas um recurso operativo utilizado por algumas correntes de psicoterapia. A hipnoanálise, por exemplo, é uma variação (pouco utilizada) do método psicanalítico que usa a hipnose para vencer determinadas resistências, facilitar as livres associações e a expressão de emoções. No entanto, nem toda pessoa é susceptível de ser hipnotizada e nem todo psicanalista tem treinamento para hipnotizar. Ademais, é discutível se o ato de hipnotizar é compatível com os requisitos da técnica psicanalítica clássica. Grande parte dos profissionais que atualmente se valem da hipnose não é formada de psicanalistas, mas de terapeutas de orientações próprias.

A chamada hipnoterapia é hoje uma corrente autônoma de tratamento. Em muitas oportunidades, a hipnose é utilizada com outras finalidades que não as psicoterápicas: tratamentos dentários, enfrentamento de situações específicas e até mesmo demonstrações em espetáculos.

Ludoterapias

A ludoterapia é uma aplicação da psicoterapia às crianças. Como elas ainda não conseguem manter um diálogo pelo tempo necessário, nem são capazes de entendê-lo cabalmente, a comunicação com as crianças é feita de maneira simbólica mediante o uso de brinquedos (fantoches, jogos, desenhos, etc.).

Estes são, ao mesmo tempo, a maneira como a criança se expressa e o material que o terapeuta interpreta e procura compreender. Quando, por exemplo, uma criança toma dois bonequinhos e simula uma briga entre eles e ao mesmo tempo pede que eles parem de brigar, por certo está reproduzindo uma cena conhecida que lhe é aflitiva. Além disso, com sua imaginação a criança cria super-herois, fadas, dragões, feiticeiras e outras figuras míticas e interage com elas de modo a vivenciar seu heroísmo e vencer seus medos, o que as ajuda a criar maior confiança e coragem. Ao mesmo tempo, a ludoterapia permite que a criança libere tensões, frustrações, inseguranças, agressividades e confusões, sem que a criança tenha consciência de estar fazendo isso.

O que são psicoterapias

A Psicoterapia é um método de tratamento, uma aplicação dos conhecimentos da Psicologia e da Psicopatologia na clínica psicológica, sendo também chamada de Psicologia Clínica.

A psicoterapia é um valioso recurso para lidar com as dificuldades da existência em todas as formas que o sofrimento humano pode assumir como transtornos psicopatológicos, distúrbios psicossomáticos, crises existenciais , estados de sofrimento, conflitos interpessoais, etc.

A psicoterapia é também um espaço favorável ao crescimento e amadurecimento, um lugar/tempo/modo privilegiado de criar intimidade consigo mesmo, de estabelecer diálogos construtivos e transformar padrões estereotipados de funcionamento, restabelecendo o processo formativo e criativo de cada um.

A Psicoterapia oferece uma oportunidade de compreender e mudar os padrões relacionamento interpessoal. Os problemas vinculares são fonte de incontáveis sofrimentos, favorecendo a ocorrência de inúmeras doenças.

Em alguns casos, a Psicoterapia cumpre também uma função de educação para a vida, oferecendo um espaço de aprendizado, com instrumentos e conhecimentos que podem ajudar na orientação e condução da vida. Esta função torna-se fundamental em situações de desestruturação decorrente de crises ou casos de imaturidade psicológica, quando a pessoa se sente verdadeiramente inapta para lidar com os enfrentamentos e dificuldades em sua vida.

O vínculo na psicoterapia

O ser humano nasce, cresce e vive em ambientes vinculares . Destes ambientes depende seu bem estar e suas realizações na vida. Os problemas vinculares – da primeira infância à terceira idade – afetam profundamente a capacidade que as pessoas têm de amar, trabalhar e viver. A psicoterapia é um espaço para se esclarecer e transformar estas dificuldades vinculares. Este processo ocorre através de uma relação saudável com um profissional eticamente comprometido e tecnicamente qualificado.

A base de uma boa terapia está na relação terapêutica. A boa terapia se desenrola num enquadre clínico com um vínculo que favorece este processo. Aí está um dos segredos desta arte e ciência: criar um ambiente que permita a revelação do mundo interno e favoreça o desenvolvimento do processo singular de cada um. Neste clima é possível que o ser mais oculto e amedrontado se mostre, seja ouvido e transforme-se, que o processo formativo possa prosseguir formando vida.

Psicanálise

O termo “psicanálise” refere-se a:

1. Uma teoria psicológica;
2. Um método de investigação do inconsciente;
3. Uma técnica terapêutica.

Nesse último sentido, a psicanálise é a forma mais sofisticada de psicoterapia e exige do profissional uma preparação longa e custosa. A psicanálise foi iniciada por Sigmund Freud em princípios do século XX, destinada a tratar as neuroses, e visa promover uma reformulação profunda e radical da personalidade.

Em geral, ela é um processo muito longo (alguns anos) que se desenvolve em 3 a 5 sessões por semana. O paciente deve ficar recostado num divã, com o psicanalista assentado à sua cabeceira. Este se comporta de uma maneira neutra, sem expressar opiniões, fazer perguntas ou dirigir as entrevistas em qualquer sentido, concedendo ao paciente liberdade para escolher o rumo de sua conversação. Intervém em alguns momentos apenas para apontar certas conexões ou incoerências da fala ou do comportamento dos pacientes, não notadas por eles (inconscientes), visando com isso produzir insights no paciente.

A grande frequência de sessões e a conduta passiva permitem que se desenvolva uma regressão e uma relação transferencial em que o paciente desloca sentimentos originariamente dirigidos a pessoas do seu passado para a figura do analista, os quais devem ser tecnicamente manejados em benefício do paciente.

Nos últimos anos, sob a influência de Jacques Lacan, a psicanálise vem passando por grandes modificações teóricas e técnicas e fica difícil atribuir a ela parâmetros estáveis.

Psicodramas

O psicodrama é uma variante das psicoterapias de grupo que as associa com técnicas de representação dramática oriundas do teatro. Nela o terapeuta procura que o cliente atue, diante de um grupo de pessoas, aspectos especiais dos conflitos que verbaliza e se vale dessa atuação para fazer suas análises, levando em conta, também, as observações e comentários feitos pelo próprio grupo.

Na encenação, o paciente escolherá um cenário e outros membros do grupo como coadjuvantes para representar as pessoas de seu mundo real envolvidas em seus conflitos. Assim, acrescenta ao relato aspectos novos que podem ser assinalados pelo grupo e percebidos por ele próprio. Além disso, o paciente pode ser auxiliado a expressar suas dificuldades por outros membros do grupo que atuam como egos auxiliares.

Do ponto de vista do seu desenvolvimento, o psicodrama compreende três fases bem demarcadas: a do aquecimento, em que o grupo, através de conversações, chega ao problema a ser enfocado; a da representação propriamente dita, em que o paciente comanda a encenação dramática de seu problema e a da análise do representado, em que o grupo e o terapeuta fazem comentários sobre o representado.

Cada uma dessas fases compreende técnicas específicas, que devem ser introduzidas pelo terapeuta, conforme a conveniência.

Psicologia Clínica

A Psicologia Clínica ocupa um lugar fundamental na área da saúde, por oferecer uma visão integrada do ser humano, incluindo as dimensões psíquica, orgânica, social e espiritual agindo conjuntamente na produção da existência humana, assim como de seus equilíbrios e desequilíbrios.

Não é possível hoje se falar em “doenças orgânicas” sem uma consideração pela dimensão psicológica e emocional, sendo evidente a natureza psicossomática da existência humana.

Já há algum tempo as pesquisas científicas tem demonstrado que as experiências de vida influenciam diretamente o processo de ativação genética, assim como influenciam as mudanças estruturais que ocorrem no cérebro. Deste modo torna-se cada vez mais artificial a distinção entre doenças mentais e doenças orgânicas (1).

Cada ser humano – psicossomático por natureza – vive uma história de interações, encontros e acontecimentos em que as doenças, quer se manifestem mais no corpo ou na “mente”, sofrem forte influência dos desequilíbrios existenciais e de soluções inadequadas de vida. Os aspectos psicológicos participam não somente da formação de muitas doenças como tem um papel fundamental na sua recuperação. A psicoterapia oferece recursos importantes para uma compreensão mais ampla do processo de adoecimento assim como estratégias para uma vida mais saudável e integrada.

Psicoterapia Sexual

Procedimento muito eficaz realizado por um terapeuta sexual, profissional – médico ou psicólogo – especializado no tratamento dos distúrbios sexuais, apto a esclarecer os problemas orgânicos e/ou emocionais relativos a tais demandas. Vale lembrar que, muitas vezes, mesmo que a disfunção tenha um caráter estritamente orgânico, não significa que o emocional não esteja abalado. Assim, uma terapia sexual também se faz necessária, paralelamente ao acompanhamento médico, para que a autoestima seja recuperada. Diferentemente do médico, o psicólogo especialista em sexualidade humana se encarrega do tratamento das disfunções em que a causa não seja física. Alguns pacientes chegam ao consultório do terapeuta com questões vividas de forma camuflada, por anos a fio, pois tentou-se a todo custo não encarar o problema de frente, alimentando mais a insegurança e o desconhecimento de que tal questão pode ser tratada e ultrapassada.

Algumas disfunções têm razões simples e próximas ao dia-a-dia, ao estresse ou à ansiedade. São as que têm um fundo psicológico e que mesmo tendo relação com a forma de viver, ou seja, tem uma causa mais imediata, nem sempre é de mais fácil tratamento. Outras, de causa orgânica também podem modificar a resposta sexual e interferir na vida cotidiana. Para a questão orgânica da disfunção, somente um médico poderá ajudar a pessoa através de exames físicos e complementares que confirmem ou esclareçam a doença.

Já foi o tempo em que as disfunções eram taxadas como doenças. Hoje, o seu contexto é ampliado e elas são entendidas como representações de influências culturais e emocionais. Assim, seus sintomas não podem ser tratados de forma isolada, mas, ainda assim, não justifica, na maioria das vezes, um tratamento prolongado.

No consultório de psicologia, o objetivo é combater a ansiedade existente, desmistificando crenças falsas, e trabalhando os aspectos psicológicos que não permitem um completo funcionamento corporal. Para tanto, a psicoterapia pode estar baseada numa terapia individual, terapia de casal ou, ainda, o conjunto dos dois processos.

O tratamento tem início em uma entrevista individual, às vezes seguida por outra com o casal, quando são esclarecidos alguns mitos em relação ao tratamento e ao processo em si. É nesse momento que são traçados os objetivos do tratamento, onde muitos respondem de forma rápida e favorável ao processo, abolindo alguns impedimentos ao funcionamento sexual normal e prazeroso. Com o caminhar do processo, espera-se que o casal possa desvendar respostas sexuais em si ou no (a) parceiro (a), nunca antes percebidas.

A terapia individual objetiva criar condições para ampliar o autoconhecimento e possibilitar o prazer consigo, a partir de um aprendizado sobre como é construído tal sintoma, ou seja, o que esse quadro tem a contar sobre a pessoa e sobre a sua forma de funcionar na relação e com o meio. É na terapia, portanto, que se revê falsos conceitos e se fornece orientação, possibilitando novas perspectivas.

Já, a terapia de casal, objetiva facilitar a comunicação do mesmo, além de mediar um conhecimento maior sobre o funcionamento da relação, ajudando a descobrir, entre outros fatores, de que forma o casal se perde em sua vida cotidiana, e como isto se reflete na dinâmica sexual. Devemos lembrar que ao se falar de sexualidade, na maioria das vezes, o seu exercício se faz em parceria. Por isso, é de suma importância que em alguns momentos o parceiro seja incluído no tratamento já que toda disfunção lhe repercute em maior ou menor grau.

Como aliado ao tratamento, o terapeuta sexual pode utilizar alguns exercícios sexuais realizados em casa, onde se pretende reforçar alguns estímulos que possam estar esquecidos. A ajuda de um terapeuta sexual merece consideração, já que para as questões sexuais de ordem emocional não há medicamentos que possam ajudar a superar tal quadro.

Talvez, a parte mais difícil seja reconhecer que se precisa pedir ajuda, que não há razão para carregar tanto peso sem apoio. É importante que se procure por um profissional qualificado, e não se sinta constrangida(o). A disfunção sexual já revela muito mais sofrimento do que a procura por um profissional que possua conhecimentos dos mecanismos da resposta sexual.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a saúde sexual, além de ser um direito, é considerada como um elemento importante para o bem estar pessoal. Preconceitos e vergonhas fazem parte do (não) reconhecimento da existência de problemas na esfera sexual. Se obstáculos ‘reais’ são complicados, depois de ultrapassar a barreira da vergonha em pedir ajuda a um profissional, poderá perceber que a sua sexualidade pode ser muito mais prazerosa e gratificante do que vinha sendo exercitada anteriormente ao tratamento.

Psicoterapias breves e focais

São psicoterapias que se valem de recursos dinâmicos (psicanalíticos) ou outros (reforço do ego, experiência emocional corretiva, aprendizagem, etc.). Caracteriza-se pelo estabelecimento de sintomas-foco, pela eleição de uma hipótese psicodinâmica e pela limitação do número de sessões (em torno de 20 sessões). Ao contrário das terapias precedentes,interessa-se mais pelo futuro que pelo passado. O terapeuta age de maneira ativa, dirigindo as associações e mantendo o foco eleito e podendo mesmo ter atitudes de aconselhamento e apoio.

Psicoterapias comportamentais

São terapias que se baseiam em alguns princípios da teoria da aprendizagem (condicionamento clássico, condicionamento operante, aprendizagem social, inibição recíproca, dessensibilização, etc.), segundo os quais os comportamentos anormais são resultantes de aprendizagem e podem ser reaprendidos.

As terapias comportamentais procuram detalhar ao máximo os sintomas do paciente: o que determina o aparecimento deles, o que os agrava ou desencadeia, quais seus antecedentes, em que situações se manifestam e quais situações os mantêm, que pensamentos os acompanham, quais as táticas utilizadas pelos pacientes para evitá-los, etc., e se vale das suas diferentes técnicas para fazer face a eles.

Cada vez mais os terapeutas comportamentais dão valor também a aspectos interiores da pessoa, como sentimentos e pensamentos disfuncionais. A denominação de “cognitivo-comportamentais” que essas psicoterapias vêm assumindo, denotam a tendência a conceder importância também a fatores subjetivos dos comportamentos.

Psicoterapias de apoio

São terapias em que o terapeuta oferece suporte a um ego enfraquecido, sob a forma de encorajamentos, conselhos, exortações, ensinamentos, sugestões, direcionamentos, etc.

Em geral são terapias de duração breve, direcionadas a crises, mas também podem ser terapias longas que procuram manter suportes para pessoas de ego constitutivamente frágil.

Geralmente o terapeuta adotará um papel ativo e transparente e aparecerá para o paciente como um modelo ao qual ele deve se identificar. Elas são utilizadas em crises e não pretendem fazer modificação na personalidade, mas recompor o equilíbrio existente previamente.

Psicoterapias de grupo

Trabalho com grupos reunidos em função de problemas comuns (grupos de gestantes, grupos de diabéticos, grupos de dependentes químicos, etc.) ou gerais. Nos grupos podem ser mais bem observados e tratados os padrões anômalos de interação interpessoal.

Os terapeutas de grupo podem ter diversas orientações teóricas, mas visam sempre resolver problemas pessoais ou grupais, por meio de diferentes modos de intervenção (interpretações psicanalíticas, role playing, exercícios estruturados, etc.). Além disso, o simples fato de participar de um grupo aumenta o sentimento de pertinência e solidariedade, facilita a sociabilização, permite constatar que muitos problemas são comuns a muitas pessoas e como pessoas diferentes os solucionam, além de permitir a catarse, através da ventilação dos problemas e emoções.

Psicoterapias de orientação psicanalítica

São psicoterapias baseadas na teoria psicanalítica da mente (freudianas, basicamente), mas destinadas a tratar problemas emocionais limitados e remover defesas patológicas, sem visar uma reformulação profunda da personalidade.

Em geral o divã, um instrumento destinado a promover ou facilitar a transferência, não é utilizado. O terapeuta deve observar alguns dos princípios terapêuticos da psicanálise, podendo, no entanto, comportar-se de forma mais interveniente, dirigindo as associações do paciente para aspectos patológicos mais específicos.

Quais os tipos de psicoterapias existentes

A literatura especializada faz menção a mais de 400 tipos diferentes de psicoterapias. Daí se vê, então, as dificuldades que enfrenta o profissional que tem que escolher o tipo de psicoterapia mais adequado para um determinado paciente.

Fatores de diversas naturezas devem ser levados em conta: tipo de problema psíquico do paciente, sua motivação, maior ou menor exigência de privacidade, disponibilidade de tempo e dinheiro, constituição da personalidade do paciente, capacidade de estabelecer uma boa relação interpessoal, existência ou não de profissionais especializados no local onde o paciente reside, etc